[[legacy_image_65209]] Quem tem mais 50 anos vem sofrendo mais os efeitos da pandemia de covid-19 no mercado de trabalho da Baixada Santista. A situação é ainda pior a quem está com 65 anos ou mais, com base em estatísticas do Ministério da Economia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! No primeiro bimestre de 2021, criaram-se 1.411 empregos formais na região. Porém, o saldo de vagas — a diferença de contratações e dispensas — ficou negativo em 149 postos na faixa etária acima dos 65. Dos 50 aos 64, foram 92 vagas fechadas em janeiro e fevereiro. Os números foram extraídos das estatísticas do Novo Caged, sigla para Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. A versão mais recente foi divulgada na última terça-feira (30). Trabalhadores jovens e adultos com até 49 anos têm encontrado portas mais largas para o emprego com carteira assinada. Em nível regional, o saldo para empregados com 18 a 24 anos foi positivo em 842 vagas. Depois, quase empatados, aparecem os que têm de 30 a 39 anos (323) e de 40 a 49 (309). Com 16,4% dos habitantes com idade a partir de 65 anos, Santos tem a maior proporção de moradores da Baixada nessa faixa (a média regional é de 11,5%). Em termos absolutos, a Cidade foi a que teve o pior saldo de vagas para maiores de 65 anos, com o fim de 81 postos. Um contraste com o resultado municipal de 1.127 empregos criados, ou 79,9% do total aberto na Baixada no bimestre. Em todas as cidades, porém, o saldo do emprego formal foi negativo para esses trabalhadores. Dos 50 aos 64 anos, houve números positivos em Bertioga (3), Cubatão (21), Itanhaém (47) e Praia Grande (2). No entanto, com o cômputo geral puxado para baixo, em especial, por Santos (-80) e Guarujá (-70). Questão sanitária O economista Jorge Manuel de Souza Ferreira, que coordenou o extinto Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Nese) da Universidade Santa Cecília (Unisanta), instituição que verificava o nível de desemprego em cidades da Baixada, entende que a discrepância na oferta de empregos tem relação com a pandemia de covid-19. “Pode estar havendo preferência por pessoas mais jovens e menos suscetíveis (a se infectar), concomitantemente a uma menor predisposição dos mais idosos de se expor ao risco. Com a vacinação, pode haver, futuramente, maior equilíbrio, mas acredito que, por enquanto, seja uma tendência a busca por mais jovens”. Ferreira, também professor universitário, considera que manter os mais idosos no mercado “tende a ser o desafio do século”: nascem menos pessoas, a longevidade aumenta, e isso faz governos alterarem para cima as condições para obtenção da aposentadoria. O economista Fernando Wagner Chagas antevê “uma imensa crise social” no País após a pandemia, com maior desigualdade por dois ou três anos. Essa crise afetaria principalmente os mais idosos, “que perderam o emprego e têm dificuldades para garantir a aposentadoria, devido à reforma da Previdência”. “A União terá que arrumar espaço no Orçamento para garantir um mínimo de subsistência às pessoas mais carentes e evitar um caos social”, adverte Chagas, ao propor um sistema federal de renda básica para superação da crise.