Minha Casa, Minha Vida: meta do governo é financiar 2 milhões de moradias em 2026 (Joédson Alves/Agência Brasil) Em um cenário de aumento gradual da taxa Selic, que começou em setembro, o mercado imobiliário torce para que a principal instituição financeira que empresta ao setor, a Caixa, amplie, em breve, as condições de crédito mais favoráveis ao mercado. A Caixa oferece sete linhas de financiamento imobiliário, segundo A Tribuna levantou junto ao banco. A mais barata, o Minha Casa Minha Vida, tem taxas entre 4% e 8,16% ao ano. Porém, os juros podem chegar a até 12% ao ano mais TR (1,1% em março), no caso da SBPE TR, com recursos da poupança, um empréstimo mais caro, mas com menos restrições. Em setembro, ao voltar a subir os juros básicos, o Banco Central aumentou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. Desde então, o BC acelerou os aumentos, com a taxa agora em 13,25%. Ela deve avançar para 14,25% na próxima quarta-feira. A subida da Selic encarece o crédito, inclusive o da habitação, que tem contratos de longo prazo. Com a Selic alta, o mutuário pagará prestações mais caras em um empréstimo de vários anos. Além disso, a demanda por recursos da Caixa disparou no semestre passado, forçando o banco a restringir os empréstimos no fim de 2024. De acordo com o diretor regional do Secovi (sindicato das empresas de compra e venda de imóveis), Carlos Meschini, o processo de readequação do financiamento do banco tem impactado a liberação de crédito. Ele explica que não há uma retenção deliberada de recursos, mas sim uma adaptação às novas regras. Entre as mudanças, Meschini destaca que, agora, a Caixa financia apenas 70% do valor de avaliação do imóvel. O efeito prático disso é que o mutuário precisará dar uma entrada maior, com mais recursos próprios. Além disso, há restrições no caso de uso do FGTS. Clientes que já possuíam um financiamento ativo não podem obter outro, independentemente da renda disponível. “Antes, se alguém tinha um financiamento pequeno e capacidade financeira para assumir outro maior, a Caixa liberava. Hoje, isso não acontece mais”, explica Meschini. Apesar das mudanças, afirma Meschini, a tendência é de que a liberação de crédito pelo banco retome a sua normalidade em breve. “A Caixa está voltando ao normal gradativamente, principalmente para os imóveis financiados de terceiros e para o comprador de imóveis prontos”. Fontes de recursos Procurada por A Tribuna, a Caixa afirma que oferece opções de financiamento com recursos do FGTS, Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e recursos livres para pessoas físicas que desejam adquirir um imóvel pronto, construir ou reformar. O banco diz que a definição de taxas de juros da instituição se baseia “na análise de fatores mercadológicos e conjunturais, dentro das regras prudenciais de definição das condições do crédito”. Linhas Segundo a Caixa, para linhas com recursos SBPE, em operações contratadas na modalidade Taxa Referencial (TR) ou Poupança Caixa, o valor do imóvel a ser financiado deve ser de até R\$ 1,5 milhão. Se o financiamento for atrelada ao CDI Recursos Livres, deverá ser acima de R\$ 1,5 milhão. Confira as linhas: SBPE TR: Com taxas variando entre TR + 10,99% ao ano e TR + 12% ao ano, com prazo de até 420 meses. SBPE Poupança Caixa: Remuneração da poupança + taxa que varia de 4,12% a 5,06% ao ano, com prazo de até 420 meses. CDI – Recursos Livres: Com taxas variando de 114% a 120% do CDI, e prazo de até 360 meses. Construção Individual: Taxas entre 11,80% e 12% ao ano, com prazo entre 120 e 420 meses. Recursos do FGTS: As taxas são definidas em regulamentação própria e partem de 4% ao ano, de acordo com a renda familiar e a localização do imóvel. Minha Casa Minha Vida: As taxas variam entre 4% e 8,16% ao ano. Pró-Cotista: Também com recursos do FGTS, cobra juros entre 8,66% e 9,01% ao ano. Obs.: A TR ao ano está agora em 1,02%. O CDI ao ano é de 13,15%. Programa financia 367 mil moradias no Estado Entre a retomada, em 2023, do programa Minha Casa, Minha Vida, voltado à baixa renda, e dezembro último, a linha financiou 367.350 moradias no Estado, segundo dados do Governo Federal. De acordo com o Governo Federal, o orçamento previsto para o Minha Casa, Minha Vida em 2025 é de R\$ 140 bilhões. Conforme o levantamento, o programa superou em 25% a meta de 1 milhão de contratos no País, alcançando 1,268 milhão. A projeção federal é de que o Minha Casa, Minha Vida atinja a marca de 2 milhões de unidades financiadas até 2026. Dos 645 municípios paulistas, 629 registraram contratações, sendo a Capital a líder nacional, com 119.959 unidades. Em seguida, vêm Ribeirão Preto, Sorocaba, São José do Rio Preto e Campinas. Segundo a União, a maior parte das contratações aconteceu via financiamento com recursos do FGTS.