[[legacy_image_251026]] A aprovação de uma nova vacina contra a dengue pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi recebida com entusiasmo por especialistas em infectologia. O imunizante Qdenga, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Takeda, terá uso amplo e apresentou, nos testes, índice de eficácia de 80%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A notícia chega em boa hora, após um 2022 preocupante para o País. De acordo com o Ministério da Saúde, foram mais de mil mortes, um recorde desde a década de 1980. “A vacina contra dengue que confira proteção contra todos os sorotipos do vírus é um divisor de águas. Mais uma vitória da ciência, porque o desenvolvimento de uma vacina efetiva e segura simultaneamente aos quatro tipos de vírus foi um desafio muito complicado a superar. Dengue segue sendo uma doença de grande prevalência e potencial letalidade. Ter vacina é, portanto, a reversão desse cenário sombrio”, afirma o médico infectologista Evaldo Stanislau. Ele lembra que são duas doses, com intervalo de três meses entre elas, para pessoas entre 4 e 60 anos. Não é necessário saber se já houve infecção prévia. “Existem outras vacinas em desenvolvimento para outras arboviroses, como a chikungunya, mas essa vacina de agora é para dengue apenas”, salienta Stanislau. Outro médico infectologista, Ricardo Hayden, explica que, nos últimos meses, os casos de dengue têm proliferado nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o que não diminui a necessidade dos moradores do Sudeste e do Sul do Brasil continuarem a adotar das medidas de combate ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya. “Houve uma queda na adoção de medidas especificas para eliminar criadouros e tirar de circulação o mosquito transmissor. Isso é fundamental, porque cria uma expectativa de enfrentamento. E cada cidadão é parte importante, ao cuidar de seu domicílio. Sugestão Ricardo Hayden defende a inclusão da vacina no Plano Nacional de Imunização (PNI), permitindo acesso ao imunizante para o maior número de pessoas. “Quando você cria uma consciência, e existe uma vacinação em massa, cria-se um pano de fundo para que as pessoas cumpram suas obrigações, como a eliminação de criadouros. Pois agora, começo do ano, é uma época chave para o combate à dengue após os meses de janeiro e fevereiro, quando começam mais casos de transmissão e devem ser intensificadas as medidas de contenção. Se for incluido no PNI, será arma de grande valia”, complementa. Para quem se indica Segundo a Anvisa, o imunizante da farmacêutica japonesa é indicado para pessoas de 4 a 60 anos, com ou sem histórico prévio de dengue. O produto protege contra os quatro sorotipos do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. De acordo com a Anvisa, a vacina será administrada via subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações. A Takeda entrou com pedido de registro em 2021. O processo, segundo a agência, foi demorado porque foram solicitados dados complementares. Ainda não há previsão de quando a vacina estará disponível no mercado. Antes, ela precisará passar pelo processo de precificação junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que costuma durar meses. Dessa forma, é improvável que o produto esteja disponível já para a atual temporada de alta de casos, que vai de fevereiro a abril. Casos O primeiro bimestre deste ano tem sido de poucos casos de dengue na Baixada Santista, conforme prefeituras. A soma dos municípios que enviaram dados à Reportagem é de 99 ocorrências. Só em Santos, no ano passado, foram registrados 353 casos de dengue e 303 de chikungunya, enquanto em 2021 foram infectadas pelas doenças 4.461 e 7.373 pessoas, respectivamente. Estes são os registros de dengue, na região, somados janeiro e fevereiro: Bertioga, 47; São Vicente, 19; Guarujá, 15; Santos, 11; Cubatão e Peruíbe, quatro cada uma; Mongaguá e Itanhaém, um caso cada. Praia Grande não teve nenhuma ocorrência no primeiro bimestre deste ano.