Marcello Colombo Barboza fala sobre valorização dos cooperados, mercado de planos e desafios do setor (Alexsander Ferraz/AT) O médico oftalmologista Marcello Colombo Barboza também concorre à presidência da Unimed Santos. Com 46 anos, ele comanda a chapa que, para a diretoria executiva, traz ainda Fábio Peluzo (Controladoria), Mariano Gomes (Relacionamento), Miguel Ângelo (Provimento de Saúde) e António Leal (Mercado). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Qual é a sua principal meta, caso seja eleito? É colocar a Unimed no século 21. É um plano de modernização e profissionalização da gestão, trazendo ferramentas modernas que possam facilitar o ambiente administrativo, o atendimento para o paciente, valorizar o trabalho do médico e gerar economias com a aplicação de ferramentas como inteligência artificial, prevenção de fraudes, melhorar a auditoria e estabelecer um programa que possa focar no cooperado, valorizando o trabalho e gerando satisfação para ele, o que vai refletir no tratamento de qualidade para o beneficiário. Qual o projeto para ampliar a cobertura do quadro de médicos cooperados? Atualmente, na Unimed, nós temos em torno de 1,6 mil cooperados. A Unimed foi criada em 1967 no intuito de agregar médicos com o objetivo de prestar atendimento de qualidade para o paciente e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho médico e a segurança do trabalho para o médico. Poder, assim, estabelecer uma relação ganha-ganha, com o médico valorizado e o paciente bem atendido. O objetivo é resgatar esse princípio, que é estatutário na Unimed, valorizar e aplicá-lo nos momentos atuais. Nós vemos cada vez mais pacientes reclamando de atendimento e médicos desvalorizados. Precisamos valorizar o cooperado. Existem planos para ampliação ou melhoria das estruturas, da infraestrutura da Unimed? Nosso programa, ao valorizar o médico cooperado, demonstrando possibilidade de ele ser mais bem remunerado, vai impactar diretamente na melhora das condições de trabalho nos consultórios. O médico satisfeito amplia a agenda, oferece mais horários para o paciente ser atendido, diminui as filas de espera. Ao mesmo tempo, pretendemos melhorar a eficiência e a otimização do Centro Médico, um dos equipamentos muito importantes da Unimed. Quando há uma estrutura que consegue receber pacientes quando mais precisam, há uma segurança de participar de um plano da Unimed. Nós fizemos um programa ouvindo os cooperados, estabelecemos o programa de gestão em alguns eixos, que vão desde governança corporativa, a desenvolver uma inteligência jurídica para mitigar processos e, ao mesmo tempo, um projeto de expansão do mercado junto às empresas. Além disso, registramos (as propostas) em cartório, para que possam ficar claros para o cooperado os nossos objetivos e metas. Como avalia o mercado de plano de saúde no País atualmente? O Sistema Único de Saúde (SUS) não tem condições de dar um atendimento pleno para os pacientes. Então, a saúde suplementar entra como ferramenta para poder levar essa saúde. O momento é delicado, porque você precisa estabelecer uma relação entre os custos, que são cada vez mais altos, e a capacidade que o paciente tem de investir nesses custos. Isso gera as mensalidades dos planos que, atualmente, sofrem reajustes altos. A responsabilidade das operadoras é conseguir entregar com eficiência o que o paciente necessita como essencial e, ao mesmo tempo, equilibrar custos. Nos últimos anos, houve uma migração dos planos de saúde para o serviço público. Como lidar com essa questão? Isso é um fenômeno que é decorrente da economia. Os planos de saúde reagem de acordo com essa variação. Mas um dado importante da Unimed é que, por ser uma cooperativa de médicos que tem um plano de saúde, há um diferencial, que é a humanização do atendimento, decorrente da valorização do cooperado. Onde os médicos são os donos e responsáveis pelo atendimento, conseguem, através da eficiência, da diminuição de custos, gerar bons resultados, sejam esses resultados para o paciente, atendidos com qualidade, tendo o tratamento essencial para poder manter sua saúde. Isso vai reverter como resultado para a própria cooperativa e favorecer os cooperados médicos. Como encarar a crescente judicialização dos tratamentos médicos? É muito importante que o médico cooperado e a própria operadora de saúde respeitem o rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) de procedimentos. No entanto, a partir desse rol de procedimentos, existe a possibilidade de, baseado em diagnóstico médico e prescrição médica, o paciente poder ter acesso a tratamentos que possam ser essenciais para a sua saúde. Isso gera a possibilidade de o paciente questionar juridicamente a necessidade daquele tratamento essencial. A chave é a operadora ter um canal aberto ao diálogo com o beneficiário e o advogado que está junto desse beneficiário. Qual recado deixaria para os médicos cooperados? Por que deseja vencer as eleições? Após 20 anos da mesma gestão, há necessidade de aprimoramento, de modernização. Diante de um tempo que necessita (de avanços), temos muita concorrência em alto nível e precisamos mostrar que a Unimed tem capacidade de gestão para enfrentar essa concorrência.