[[legacy_image_24603]] Mais de 98% dos moradores da Baixada Santista ainda não foram infectados pelo novo coronavírus. A infecção atingiu 1,41% da população da região, isso significa que apenas 23.257 pessoas já possuem anticorpos contra a covid-19 na região. O levantamento, feito com testes rápidos e divulgado nesta segunda-feira (4), demonstra a importância da continuidade do isolamento social, principalmente porque há previsão de um pico de casos entre o final de maio e o início de junho, segundo as autoridades de saúde. >> Confira o infográfico com detalhes do estudo realizado na Baixada Santista A pesquisa foi feita pelo Parque Tecnológico de Santos, com apoio das universidades da região. Coordenado pelo infectologista Marcos Caseiro, o trabalho foi realizado entre 29 de abril e 1º de maio, com 2.342 exames nas nove cidades - 33 deram positivo. As pessoas foram escolhidas aleatoriamente para compor a amostragem. “A prevalência ainda é baixa, temos uma população muito vulnerável. Se abrirmos (as atividades) a população idosa certamente estará em enorme risco. Os dados não permitem a saída do isolamento social nesse momento, não podemos mudar a rota”, afirma Caseiro. Os testes rápidos foram pagos com dinheiro do fundo metropolitano, cerca de R\$ 2 milhões, aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), composto por todos os municípios. Essa é apenas a primeira etapa. Até junho, estão previstas outras três fases, totalizando 10 mil pessoas testadas. O diagnóstico é feito pelo sangue, por meio de uma picada no dedo. Pico O infectologista mostrou a curva de casos no Brasil, que começou a subir rapidamente. Dados do Ministério da Saúde apontam um pico a partir deste mês, com o topo em 7 de junho, começando a cair depois. Caseiro acredita que o mesmo vai se reproduzir e na região. “O pico deve acontecer, os dados são inegáveis. Claramente estamos na fase de ascensão. Quando você olha São Paulo, Capital, percebe que nossa curva é mais achatada. Nós estamos fazendo a lição de casa. Mas é o momento de crescimento, percebemos mais pessoas precisando de UTI”. O médico explica que há três formas de a epidemia começar a cair: quando a maioria da população pega a infecção e cria anticorpos, quando há vacina ou quando a transmissão é interrompida. “Se quebra a cadeia de transmissão, a doença acaba. Isso quer dizer evitar novos casos. Por isso, o isolamento é de fundamental importância, para quebrar essa cadeia”. Volta das atividades O prefeito de Santos e presidente do Condesb, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), afirma que o momento é de continuar a quarentena. Não dá previsão para reabertura das atividades econômicas. Para ele, a pesquisa reforça que o isolamento é fundamental. “As medidas adotadas até o presente momento foram as mais acertadas, as necessárias. Se fosse feito diferente, estaríamos em uma situação muito mais grave em casos e mortes. Devemos seguir a estratégia que está dando resultado e preservando vidas. Não é momento de flexibilizar”.