[[legacy_image_18574]] Pacientes graves com covid-19, que são intubados, muitas vezes precisam ser colocados no leito da UTI de barriga para baixo. Pronar a pessoa, ou seja, deixá-la de bruços, é uma forma de fazer o pulmão de expandir e receber melhor o oxigênio. A prática comum nos hospitais, porém, é muito mais difícil com gestantes, por causa do volume da barriga. Mas uma maca especial, criada por uma fisioterapeuta de Santos, faz com que esse procedimento seja facilitado. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! O projeto é da fisioterapeuta Cláudia Oliveira, de 54 anos, especialista em Fisioterapia na Saúde da Mulher, mestre e doutora pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Foi desenvolvido como trabalho de doutorado, em parceria com as faculdades de Engenharia e Fisioterapia da Unisanta, onde ela é professora. Em testes, o equipamento se mostrou eficaz para melhorar os sinais vitais das gestantes, como saturação (nível de oxigênio) e pressão arterial. Na prática, começou a ser usado, de forma experimental, com grávidas internadas com covid-19 no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo. Deu resultados positivos, melhorando o estado das pacientes. A maca é um leito operado por controle remoto que tem um orifício para encaixe da barriga, com uma estrutura que sobe e desce. Também é capaz de aumentar ou diminuir sua curvatura, para se ajustar melhor a cada pessoa. O equipamento, que recentemente conseguiu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado em clínicas e hospitais, já começou a ser fabricada por uma empresa brasileira. Tem custo aproximado de R\$ 20 mil. Cláudia conta que estudou a proposta durante três anos, bem antes da pandemia, pensando numa melhor solução para usar em consultório, com grávidas com problemas de coluna. “Como trabalhei com fisioterapia respiratória, via as gestantes com desejo de ficar nessa posição. Mas é desconfortável para grávidas. Fui procurar o que existia para isso e não achei nada. Foi quando levei a ideia para a faculdade de Engenharia e começamos a desenvolver”, diz a fisioterapeuta, explicando que os testes surpreenderam positivamente e o projeto foi levado para as UTIs. Ajuda muito A obstetra Rossana Pulcinelli Francisco, coordenadora de obstetrícia do HC e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), explica que a maca foi desenhada para ser usada em fisioterapia, mas ajudou muito nas gestantes com covid-19. “Existe uma dificuldade muito maior de pronar a gestante, por causa da barriga, e essa maca possibilitou colocar pacientes nessa posição de forma adequada, sem compressão do abdômen, do bebê. Tínhamos uma segurança porque a maca já tinha sido testada em gestantes e melhorava os padrões hemodinâmicos da mãe e do bebê. Sem a maca é possível pronar, mas adaptando, com almofadas”. Segundo Rossana, o número de gestantes graves e que morreram com covid-19 é considerável. “Já foram mais de 60 mortes no Estado. Para que se tenha uma ideia, o Estado costuma ter entre 290 e 300 mortes maternas por ano, que é um valor extremamente alto. E terá o acréscimo agora dessas mais de 60 mortes”.