[[legacy_image_223189]] A sócia de uma rede de padarias de Peruíbe, a Pão de Maçã, sofreu um linchamento virtual e um boicote após ter um vídeo pessoal comemorando a vitória do presidente eleito Lula (PT) republicado em uma rede social. O post foi reproduzido na última terça-feira (15) e a publicação teve uma interação com mais de 15 mil curtidas e comentários. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apoiadores do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), promoveram um boicote ao estabelecimento e comentaram o ‘tweet’ com ofensas à Miucha de Monteiro, de 45 anos, uma das sócias da rede de padarias. “Meu irmão me chamou porque ele cuida das redes sociais da loja, e contou que alguém pegou um vídeo meu e colocou nas redes falando que a ‘Pão de Maçã’ era petista. No dia da eleição, fiz um vídeo e coloquei na minha página pessoal, comemorando a vitória do Lula. Foi só uma celebração no meu perfil e em momento algum menciono a loja”, diz. A republicação no Twitter ofendendo Miúcha foi apagada pelo perfil que postou o vídeo. Nas imagens, era possível ver Miúcha celebrava a vitória fazendo um “L” com as mãos. Junto ao tweet, escreveram: “a dona da padaria Pão de Maçã é PT de carteirinha. Vamos deixar ela famosa não comprando mais pão lá”. Por conta de ter recebido ameaças e ofensas, a empresária pretende entrar com uma ação judicial contra os perfis que publicaram o vídeo promovendo o boicote. “Tinham muitos xingamentos à minha pessoa e mensagens de ódio. Isso é uma coisa criminosa. Falaram nos tweets que a gente deveria colocar uma estrela do PT na frente da loja”, relembra. Miúcha disse que não costuma discutir política. “Para deixar claro, nunca entrei em página de ‘bolsonarista’ para falar algo porque acredito que cada um tem o direito de ter sua opinião. Eu respeito a opinião de cada um”, afirma. [[legacy_image_223190]] A proporção dessas publicações tomou um novo rumo e, segundo a vítima, o vídeo começou a circular em grupos de direita com fake news atreladas. “O boicote já passou para o Facebook e colocaram mentiras, falando que a gente mandou funcionário embora por ter votado no Bolsonaro”, cita. Ela conta que começou a ter medo de depredação e ataques às redes de padaria. No mesmo dia da publicação, na terça-feira (15), um homem vestido com uma camisa amarela entrou em uma unidade com o vídeo passando em mãos e, segundo os funcionários, gritando ofensas. “Um rapaz entrou em nossa loja, abriu a porta de vidro e começou a gritar com o celular na mão e meu vídeo passando”, explica. A atitude preocupou Miúcha. Ela afirma ter medo de alguém quebrar a loja ou a. “A gente não sabe como vão agir com toda essa violência”. “Fui ao mercado e vi algumas pessoas me olhando. Já comecei a ficar preocupada. Será que a pessoa viu o meu vídeo? Porque várias pessoas vieram falar que receberam várias vezes o vídeo. Será que vou ser agredida se eu for na farmácia? Essa é minha preocupação também”, alega. Por fim, a empresária explica que se surpreendeu com a assimilação de sua opinião política com a ‘Pão de Maçã’. Ela afirma que isso causou um desconforto entre ela e os outros sócios da rede. “O voto é de cada um. O nosso trabalho e a nossa empresa não têm nada a ver com posição política. Acho que a gente está vivendo um momento muito tenso. Já acabou a eleição. Estamos em um momento de transição. Vejo que por conta de muitas fake news, alguns grupos não aceitam o resultado e não acreditam nas urnas”, conclui.