[[legacy_image_10637]] Um atendimento humanizado foi responsável por salvar um morador de rua, em Peruíbe. Após ser resgatado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) e encaminhado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o paciente teve 92 larvas retiradas de sua cabeça e reencontrou sua família. Em entrevista para A Tribuna On-line, o médico Bruno Chehade Pereira - responsável por acolher o morador de rua, de 54 anos, trazido por um amigo guarda municipal - relata que descobriu a condição crítica de saúde do paciente, também chamado de Bruno, enquanto cortava seu cabelo. "Notei que ele estava todo emaranhado por causa do pus e piolhos. Quanto mais eu cortava, mais secreção aparecia. Quando raspei seu cabelo, notei que tinham vários orifícios de miíases, conhecidas como bernes, em sua cabeça", conta. Após ser surpreendido, o médico conta que a equipe começou o procedimento para retirar manualmente as 92 miíases, transmitidas pela mosca Dermatobia hominis, popularmente conhecida como varejeira. Para serem retiradas, o médico explica que é necessário realizar o sufocamento das larvas com éter ou vaselina, o que contribui para que saiam dos orifícios. Devido ao estado crítico, o paciente precisou ser internado posteriormente para que recebesse a medicação e saísse da unidade sem o problema de saúde. Chehade esclarece que a infestação de larvas pode causar uma infecção generalizada porque "ela vai comendo o corpo todo". Também conhecida como bicheira, a doença é contraída quando a mosca deposita seus ovos em orifícios como cavidade oral, órgãos genitais e até mesmo em feridas na pele. [[legacy_image_10638]] Humanização A descoberta da doença só foi possível devido ao atendimento humanizado prestado pelo médico, que deve sempre respeitar a vontade do paciente em situação de rua, já que chegam ‘fragilizados e assustados ao hospital’. "Temos que deixar que o morador de rua decida o que deve ser feito e nunca impormos o tratamento. Perguntei se estava com fome e ele respondeu que sim e foi alimentado. Em seguida perguntei se ele queria tomar um banho e ele aceitou. ". Chehade relata que o paciente "chegou a dormir em seus braços, enquanto cortava seu cabelo". O morador de rua já é conhecido pelos médicos, pois precisou ser acolhido ao chegar à UPA com um grau de hipotermia durante o inverno. Após o tratamento, os guardas municipais perguntaram se a família do paciente poderia ser contatada. Após a alta, ele voltou para casa com os familiares. Atendimento humanizado com moradores de rua consiste em respeitar as vontades do paciente (Foto: Arquivo pessoal) Atendimento especial A atenção de Bruno Chehade Pereira já é conhecida na cidade e viralizou nas redes sociais. Em 2018, ele recebeu um paciente encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que estava em quadro de surto psiquiátrico. Mas ao conversar com o paciente, ele explica que o homem estava atordoado por estar com fome. O 'dia da beleza' foi realizado em troca de duas marmitas e o morador de rua deixou a unidade com barba e cabelos feitos. [[legacy_image_10639]]