[[legacy_image_338876]] A Justiça condenou Vilma da Silva a 18 anos e 8 meses de prisão por omissão na morte da própria filha, que tinha dois anos quando o crime aconteceu, em dezembro de 2005, na cidade de Peruíbe, no Litoral de São Paulo. Segundo as investigações, a menina foi assassinada dentro de casa pela madrinha, Alba Cristina da Silva. O julgamento ocorreu no Fórum de Praia Grande nesta quinta-feira (29) e teve mais de 10 horas de duração. Após a determinação, Vilma saiu presa do plenário. Ela recebeu a mesma sentença à qual havia sido condenada em 2017, porém, o julgamento precisou ser remarcado. Segundo o Ministério Público (MP) de São Paulo, a vítima, Juliana da Silva, foi morta por traumatismo intracraniano. Ela teria sido jogada contra a parede do banheiro por Alba, na casa onde morava com a mãe, Vilma, a irmã mais velha, a tia e a madrinha, Alba Cristina da Silva. Além da agressão fatal, as investigações apontaram que Juliana e a irmã eram violentadas física e sexualmente por outros dois indivíduos aos quais a mãe teria um relacionamento. Apesar de saber dos crimes, Vilma nunca havia denunciado porque se dizia ameaçada pela dupla. Inclusive, em depoimento à polícia, ela afirmou que a filha também havia sido molestada na data do homicídio. No hospital, os médicos identificaram uma série de marcas de violência na criança, inclusive sexual. Muitas dessas feridas no corpo da vítima, inclusive de queimaduras, eram antigas. Conforme as investigações, Alba Cristina batia com frequência na vítima, no que foi indicado nos autos como uma suposta prática de ‘corretivo disciplinar’. Ela foi condenada há 24 anos pelo homicídio e mais 2 anos por maus tratos à Juliana e à irmã. Em entrevista para a TV Tribuna, antes da sentença, Renan de Lima Claro, advogado de defesa de Vilma, disse que a cliente não estava no local no momento da agressão que levou à morte da filha. “Ela alega que não possuía a condição de efetivamente agir para evitar aquele resultado delitivo. Começa que ela nem no mesmo cômodo estaria no momento da agressão. E, assim que soube da agressão, ela já se dirigiu de imediato ao hospital para socorrer essa criança”, disse o advogado. Diferentes versõesO crime praticado por Alba Cristina chegou a ser encoberto pela mãe da vítima. Vilma teria omitido, em primeiro momento, por medo da madrinha de Juliana que, segundo ela, era uma pessoa violenta. Vilma, inclusive, foi presa em flagrante como responsável pela morte da filha. Ela disse ter sido agredida na rua, junto da filha, por alguns homens. Vilma combinou a versão com a própria Alba, para que ela não fosse descoberta e presa. Porém, dias depois, resolveu confessar à polícia que Alba Cristina era a verdadeira responsável pelo homicídio. Explicou, inclusive, as agressões constantes e o medo que tinha da acusada. Os investigadores voltaram a ouvir Alba que, após ser confrontada, confessou ter agredido a menina em diversas situações. Após os relatos, no dia 19 de janeiro de 2006, a investigada foi presa preventivamente. Porém, em outubro de 2010, foi absolvida no Fórum de Praia Grande. À época, o juiz acatou a posição da defesa de que não havia provas suficientes para declarar a madrinha como responsável pela morte de Juliana. Julgamento anteriorVilma da Silva já havia sido julgada em 2017, onde tinha recebido a mesma condenação, 18 anos e 8 meses. No entanto, ela não estava presente e não foi interrogada. A defesa alegou que a ré não teria comparecido devido a um erro do cartório. Desde então, aguardava pelo julgamento, que ocorreu nesta quinta-feira.