[[legacy_image_253468]] O irmão de uma das vítimas do atropelamento na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que terminou com dois mortos na última semana, viu o acidente sem saber que se tratava de um familiar. David Antônio da Silva Santana, de 38 anos, diz que o coração acelerou ao desconfiar que Matheus da Silva Marques, de 24, poderia estar envolvido e, ao confirmar, perdeu as forças. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Acho que ele levou a gente até lá para não ficarmos sabendo pelos outros, foi muita coincidência”, destaca o comerciante em entrevista para A Tribuna. Segundo David, o irmão tinha trabalhado o dia inteiro e estava indo para casa quando sofreu o acidente. Dirigindo uma moto, o jovem acabou atropelando um homem de 57 anos, que atravessava pela rodovia. Os dois morreram. David conta que tem uma loja de suplementos em Mongaguá desde 2014 e era lá que o irmão trabalhava. Segundo o comerciante, Matheus era muito querido pelos clientes e amadureceu tanto com o trabalho que sonhava em ter o próprio comércio. “Ele tinha esse sonho e a gente estava próximo de concretizar”, relembra o comerciante, dizendo que o irmão já era Microempreendedor Individual (MEI) há seis anos. “Eu percebia que mais cedo ou mais tarde ia perder meu braço direito, mas para ele ir para o local dele, trabalhar para ele mesmo. A gente estava fazendo projetos para montar a lojinha. Matheus estava muito alegre porque estava dando tudo certo”. [[legacy_image_253469]] O comerciante ainda conta que o jovem saia do serviço pontualmente para chegar em casa e ver a namorada, com quem morava há quatro meses. No dia do acidente, porém Matheus ficou um pouco mais, pois o comércio havia recebido mercadoria. “Falou: ‘vou ficar um pouquinho mais, vou te ajudar a separar os pedidos das academias’. E ficou separando comigo até 19h40, depois parou no mercado para comprar uma bolacha que acharam na mochila dele, e nisso foi o tempo de encontrar o senhor no lugar do acidente”. Ainda segundo o irmão, Matheus tinha o costume de avisar quando chegava em casa, pois David e sua mãe não gostavam que ele andasse de moto devido ao histórico familiar de tragédias com esse tipo de veículo. “Eu ficava implorando para ele vender (a moto)”, ressalta. Foi por esse receio que o comerciante ficou tocado ao ver o acidente. Ele estava de carro com a irmã voltando de uma entrega em um bairro distante, quando viu a movimentação do outro lado da rodovia. “Falei: ‘liga para o Matheus e pergunta se ele já chegou’. Ela ficou ligando e ele não atendia”, conta o homem, dizendo que ficou aflito e, mesmo sem saber que o acidente era com seu irmão, optou por dar a volta para o local. Enquanto estava no caminho, porém, ele recebeu a ligação da namorada de Matheus perguntando por ele. “Aí meu coração disparou”. Segundo David, ele já tinha reparado que a Polícia Militar Rodoviária estava passando uma fita no local. “Normalmente é quando tem algum óbito. Quando eu ia vindo, um pouco para frente da passarela, vi o corpo do senhor com papel alumínio. Andei mais uns 20 metros e vi a moto do meu irmão caída. Foi desesperador, comecei a gritar porque sabia que não podia fazer mais nada”. Além de controlar a emoção, o comerciante precisava acalmar a irmã, mas diz que não conseguia se mexer. “Perdi minhas pernas, fiquei sem saber o que fazer”, relata, dizendo que Matheus já estava coberto com alumínio no momento. [[legacy_image_253470]] PerfilDavid diz que o irmão era uma pessoa muito amorosa, que fazia questão de estar próximo e de demonstrar seu amor. Prova disso é que no dia do acidente ele usou o horário de almoço no serviço para fazer uma surpresa para a namorada em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres. “Comprou uma caixa de bombom e flores”. O comerciante, portanto, viu a evolução do irmão desde a infância. “Vi o Matheus crescendo porque a gente morava junto. Quando ele nasceu, eu tinha 14 anos, então ele ficava no meu colo para cima e para baixo. Eu sempre falava que ele não cabia mais no meu colo, mas ia caber sempre dentro do meu coração”, enfatiza. Tranquilo e bom são as características que melhor descrevem o jovem, segundo David. “Queria sempre estar próximo da gente. Não sei se porque de alguma forma ele sabia que teria pouco tempo”, afirma. [[legacy_image_253471]] Além disso, outro diferencial de Matheus era a serenidade. “Não reclamava de nada, às vezes eu estava até chateado com algumas coisas e ele me confortava. Para ele tudo estava bom, podia estar caindo o mundo, ele segurava com ele. Ficava se mostrando bem forte, apesar da pouca idade”. Como parceiro de trabalho, David teve acesso ao lado de Matheus como profissional. “Sabia tudo da loja, todos clientes adoravam. Eu recebi mais de 500 mensagens de clientes desejando força, falando bem dele, isso me deu muito orgulho”, ressalta. Agora o irmão mais velho busca forças para seguir com o comércio, onde sente até o cheiro de Matheus. “Chorei muito, mas falei para ele que deixou um legado. Vou continuar a história dele, não vai morrer não, vai ficar dentro do meu coração para sempre”. [[legacy_image_253472]] MãeDavid conta que pelo próprio jeito de ser, Matheus era o filho mais carinhoso com a mãe. “A gente ficava até bravo que ela passava a mão na cabeça dele”, relembra o comerciante, dizendo que a mãe está à base de medicação desde a partida do motociclista. Um dia antes do acidente, o jovem visitou a mãe e ficou sentado perto da porta da sala. “Minha mãe perguntou se ela era uma mãe ruim, ele disse: ‘lógico que não’. Então ela fala que toda hora que chega na sala, vê ele sentado na porta”, lamenta David. [[legacy_image_253473]]