[[legacy_image_154174]] Uma professora aposentada foi surpreendida por um ex-aluno para quem deu aula há 63 anos, em Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo. Martiniana Luz Leite, conhecida como Nininha, tem 82 anos e viu um “filme passar pela cabeça” ao receber a visita do - hoje aposentado - Oscar de Almeida Amaro. No entanto, a surpresa foi ainda maior quando ele revelou o motivo: mostrar um livro que recebeu dela em dezembro de 1959. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Para que continue sempre obediente e aplicado como foi para mim”, dizia a dedicatória assinada por Nininha em 12 de dezembro de 1959, nas primeiras páginas do livro que ficou guardado por seis décadas. Em entrevista para A Tribuna, Oscar - que tem o apelido de ‘Cacau’ -, revela que sempre quis reencontrar a antiga professora. “Tinha vontade de fazer uma visita e levar o livro para mostrar por quantos anos guardei e o quanto foi importante pra mim”. [[legacy_image_154175]] No entanto, aos 74 anos, o azulejista aposentado se questionava quanto a idade de Nininha e tinha receio de emocioná-la demais. “Até que um dia encontrei outra antiga professora que me falou que a Nininha ficaria feliz se eu fosse, pois estava em plena saúde e lembrava-se de tudo. Resolvi fazer a visita”. Segundo a professora aposentada, ela não reconheceu o ex-aluno quando ele bateu na porta de sua casa. Lembrou-se apenas quando ele se identificou como ‘Cacau’. “Falei: ‘o Oscar’. Na minha memória veio a imagem dele pequeno e magrinho, lembro perfeitamente”. Para Nininha, foi gratificante saber que marcou a vida de alunos. Ela relembra que a data registrada no livro é do primeiro ano em que exerceu a profissão. “Me formei e fui dar aula nessa escola que chamava-se 2ª Escola Mista do Bairro do Poço, onde hoje tem o Pollastrini (Escola Estadual Silvia Jorge Pollastrini). Era uma casinha de madeira”. Ela confessa que não se recorda bem do motivo de entregar o livro à Cacau, mas tem um palpite. “Devia ser um ótimo aluno”. De acordo com Nininha, o último contato com ex-alunos foi quando ela voltou a atuar na escola como auxiliar de diretora e viu os antigos estudantes se tornarem pais de novos alunos. Oscar diz que matriculou o filho com a ex-professora. “Foi a última vez que eu a vi, até comentei sobre como o tempo passa”. Segundo Nininha, reencontrar Cacau - desta vez, 36 anos após se aposentar - fez memórias do início da carreira retornarem. “Na época não tinha condução (transporte público), a gente voltava para casa a pé com todos os alunos juntos. Lembro com muitas saudades”. A aposentada ficou tão emocionada que resolveu compartilhar a ação do ex-aluno nas redes sociais. “Ele deixou o livro temporariamente comigo para que eu mostrasse aos meus filhos, netos e bisneta”, explica. [[legacy_image_154176]] Educação inesquecívelOscar diz que começou a estudar quando tinha cerca de sete anos de idade e, apesar de muitas dificuldades da época, ainda lembra com muito carinho todas educadoras que teve como professora. Com Nininha, ele iniciou os estudos aos 10 anos. “Foi uma professora que marcou muito na minha vida, porque fui criado com minha avó e irmãs e a considerava (Nininha) como minha segunda mãe. A educação que ela dava para os alunos era fora de série, aprendi muito”. Ele revela que recebeu o livro acompanhado de muitos elogios e resolveu guardar pensando também no futuro. “Para as pessoas saberem quem foi a Nininha no começo da profissão, que ela teve um aluno de mais de 60 anos atrás que a procurou para falar sobre as coisas boas que ela passou”. Oscar ainda diz que a educação foi tão inesquecível que ele nunca deixou de procurar saber sobre a professora. “Esse tipo de pessoa não deveria morrer nunca, deveria ficar para semente”, finaliza.