[[legacy_image_159384]] Um morador de Ilha Comprida registrou imagens de um elemento misterioso que encontrou na faixa de areia da praia do Balneário Adriana enquanto caminhava na última quinta-feira (10). Biólogos ouvidos por A Tribuna ficaram intrigados ao analisarem as fotos tiradas pelo advogado aposentado Luiz Roberto de Oliveira Fortes, de 73 anos, pois nenhum deles afirmou ter certeza do que o elemento de cerca de dois metros realmente é. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Porém, todas as hipóteses apontam para a mesma direção: vísceras de algum animal marinho. Em entrevista para A Tribuna, Luiz conta que costuma caminhar na praia e, inclusive, soltar siris que ficam presos em redes de pesca para devolver ao habitat natural. Na quinta-feira (10), portanto, ele se surpreendeu quando encontrou uma toninha morta e, a cerca de dez metros, o elemento que ele considerou um “pedaço de carne”. “Imaginei que fosse fígado ou pulmão de um animal marinho muito grande, porque media pelo menos uns 2,5 m de comprimento. Nunca vi um peixe que tivesse uma composição enorme como era aquele pedaço de carne”. Segundo o aposentado, o elemento tinha textura “esfarelenta” e chamou atenção das pessoas que estavam na praia, principalmente por conta da curiosidade. “Ficaram em torno dele, mas ninguém sabia naturalmente o que era”. Com as fotos, Luiz acionou o Grupo SOS Pinguim para o encalhe da toninha e do material. "Não consegui chegar a tempo para analisar. A equipe do IPEC (Instituto de Pesquisas) de Cananeia também não. Segundo comentários, urubus comeram”, explica Cristian Negrão da Silva, de 58 anos. Ele é voluntário da ONG Amigos do Mar e presidente do Grupo. A Tribuna confirmou com o IPEC que a instituição foi acionada, mas o material não foi encontrado na praia no dia seguinte. A Prefeitura de Ilha Comprida, portanto, afirmou que não teve conhecimento da ocorrência. BiólogosA Reportagem entrou em contato com três biólogos da região para comentar o caso. Aline Felippe Pesquino, Daniel Monteiro e Ricardo Samelo afirmaram que a análise por foto dificulta o trabalho, mas concordam com a hipótese do advogado que encontrou o elemento. “A maior possibilidade é que seja uma parte de algum animal morto que estava se decompondo no mar, talvez uma baleia. Pode ser pulmão ou fígado”, destacou Daniel, dizendo que o processo de decomposição do material já estava avançado. Aline, por sua vez, concorda que a maior chance é de ser um fígado. “Mas definitivamente não consigo dizer de que espécie pode ser”. Sem análise e baseando-se em hipóteses, ela cita a possibilidade de ser de um tubarão. “Eles têm um fígado muito oleoso, obviamente parte desse óleo do fígado, se fosse um tubarão, já deveria ter sido absorvido pela areia ou ter se soltado na água, se é que chegou pelo mar. E é a sensação (relata por Luiz). Quando está sem o óleo ou desidratado, ele fica esfarelento, quebradiço”. Para Ricardo, a anatomia do órgão também sugere que seja fígado ou pulmão. “De repente, um fígado de tubarão porque dá para perceber que é um órgão bem alongado. Como o tubarão é um peixe cartilaginoso, um condricte, eles não possuem a vesícula gasosa que conhecemos como bexiga natatória que os peixes ósseos tem, então o tubarão costuma regular um pouco a sua flutuabilidade na água através do fígado, que contém uma grande quantidade de gordura, tecido que ajuda na flutuabilidade”. No entanto, ele reitera o animal teria que ser grande. O biólogo diz que uma possibilidade é a de que o tubarão tenha sido pescado e “limpo” pelos próprios pescadores dentro da embarcação. Por isso, o órgão pode ter sido descartado no mar. Falando sobre a chance de se em ser um pulmão, ele diz que a probabilidade é que seja de uma baleia. Tanto Ricardo quanto Aline descartam a possibilidade de o órgão pertencer à toninha encontrada próxima ao material.