[[legacy_image_276672]] A cachorrinha da raça husky siberiano Nanuk, que foi vítima de agressões que lhe tiraram a visão em novembro do ano passado, deve enfrentar nova provação em breve. Por conta de secreções e ação de insetos, o animal terá seus olhos removidos, em mais um capítulo de uma história ainda sem punição. Não bastasse, há relatos de pessoas que tentam levar vantagem financeira com o drama da família que vive em Itanhaém, litoral de São Paulo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Tivemos que correr para São Paulo, passando três dias. Os olhos dela, de tanto lacrimejarem, acabaram inflamando, pegando uma bactéria. Os médicos da Capital vão retirar os dois olhos dela. Já está cega, mas, pelo menos, ficará sem secreção no local”, conta o tutor, Luciano Souza. [[legacy_image_276673]] A simpática cachorrinha foi atingida por golpes de enxada, após supostamente ter matado uma galinha de uma casa em frente. Souza encontrou Nanuk dentro de um buraco, aos gritos, sendo atingida pelo autor do crime e tendo os dois olhos perfurados. O filho de Souza foi quem tirou o cabo de madeira do agressor, jogando-o longe. A ocorrência foi registrada no 3º Distrito Policial (DP) de Itanhaém, como “prática de abuso a animais”. O quadroDe acordo com o oftalmologista veterinário Arthur de Almeida, que cuidou de Nanuk, o quadro de perfuração ocular é uma das principais causas de perda visual. “Foi instituído o tratamento, com o objetivo de cicatrizar a perfuração. Devido à gravidade da lesão, e já no momento da consulta, como foi constatado perda visual de forma irreversível, o tratamento instituído foi apenas clínico, não optamos por tratamento cirúrgico”, lembra. “A Nanuk vai depender da gente para sempre. Ela está com um ano e nove meses, é muito querida por tosos. Mas é doloroso ver como ela ficou e saber que o responsável não teve nenhuma punição”, lamenta o tutor. Segundo ele, o autor do crime seria um rapaz que vivia numa clínica de recuperação de dependentes químicos. Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) disse que a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do suspeito, um homem de 22 anos, mas o pedido foi negado pelo Poder Judiciário. A pasta disse que "novos questionamentos devem ser encaminhados à Justiça". Má intenção Souza, que é comerciante, explica que os gastos com os cuidados da mascote da família têm sido altos. E que, por isso, conta com a disponibilidade de quem possa oferecer qualquer ajuda. No entanto, tem informações de pessoas que se aproveitaram da solidariedade em torno de Nanuk para obter dinheiro. “Teve gente que usou desse sofrimento. Uma pessoa que trabalhou comigo veio perguntar se uma postagem no Facebook de uma rádio sobre a Nanuk era nossa. Pegaram fotos dela e fizeram essa postagem. Pois uma pessoa já tinha se solidarizado, mandou até Pix. Tem pessoas que usam a imagem dela para ganhar dinheiro”, lamenta.