[[legacy_image_249290]] Em meio às chuvas que causaram uma tragédia no Litoral Norte de São Paulo no último fim de semana, a ação realizada por proprietários de um estabelecimento em São Sebastião levou esperança e acalento para a região: o restaurante Pimenta Rosa ofereceu comida, wi-fi e até abrigo para turistas e moradores. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O gesto do casal dono do comércio repercutiu nas redes sociais após o pai de uma turista que recebeu ajuda publicar um relato na internet. Em entrevista para A Tribuna, a filha dos proprietários e caixa do restaurante, Ana Clara Abreu, de 22 anos, disse que a família não esperava tamanha repercussão. “Jamais imaginamos e nem queríamos isso”, diz a jovem, contando que a família agiu com único objetivo de ajudar. Ela conta que o restaurante abriu normalmente no sábado (18), mas, durante a noite, Ana não conseguiu ir embora com os pais, pois a rua do estabelecimento alagou. Desta forma, eles dormiram no local. “Enquanto isso, meu irmão estava em casa tentando levantar tudo com a ajuda de um vizinho. Nós ficamos preocupados, perdemos algumas coisas materiais, mas nada comparado às outras pessoas que perderam tudo”, ressalta. No domingo (19), Ana e os pais começaram a receber notícias da tragédia que aconteceu na região por meio das pessoas que passavam em frente ao restaurante. “Estávamos sem sinal e não conseguíamos falar com ninguém por telefone, com alguns de nossos funcionários e com o meu namorado, por exemplo, que moram na área mais atingida, a Vila Sahy”. No entanto, como o restaurante é mais alto que a rua e não foi atingido pelo alagamento, diversas pessoas foram até ele. “Por sermos os únicos que tinham sinal de Wi-fi, cerca de 300 a 400 pessoas passaram somente no domingo. Com isso, nós vimos a necessidade de oferecer o mínimo, como a senha do Wi-fi, um café e em seguida o almoço, preparado com os nossos próprios produtos”, explica a jovem. Ana acredita que a ação foi um “acalento” para as pessoas que estavam descobrindo sobre os deslizamentos da região. “Alguns já sabiam que tinham perdido alguém, outras ainda estavam buscando notícias”, afirma sobre a situação que, segundo ela, perdurou o dia inteiro. [[legacy_image_249291]] Houve, inclusive, quem chegou a dormir no restaurante. “Oferecemos o nosso espaço para as pessoas se acomodarem enquanto a nossa casa também precisava de limpeza pós-enchente, mas nem pensamos nisso”. Para a família, a importância dos bens materiais nem se comparava com as pessoas que precisavam de ajuda. Desta forma, o imóvel foi limpo pelo irmão de Ana que chegou pela tarde após ficar preso em Boiçucanga e a família pôde retornar ao lar pela noite. No entanto, como muitas pessoas permaneciam no restaurante, o patriarca Francisco Soares de Abreu, de 52 anos, resolveu ficar para seguir ajudando. Em troca da comida, Wi-fi e abrigo, algumas pessoas se ofereceram para pagar ou até mesmo ajudar nas tarefas do restaurante, mas os donos recusaram. “Eles (pais) são assim, jamais aceitariam algo em troca porque o intuito era realmente ajudar”, enfatiza Ana. O fato chamou atenção do pai de uma turista, que postou o relato nas redes sociais e viralizou a história. “Era o que a gente podia fazer naquele momento tão trágico e difícil, acolher a todos”, diz a proprietária e chef do restaurante, Valdinea da Conceição, de 50 anos, em agradecimento às mensagens que recebeu após a repercussão do caso. Atualmente, a família segue ajudando os desabrigados fazendo marmitas durante o almoço e jantar para levar para escolas e igrejas que estão acolhendo os moradores. “Temos alguns motoboys voluntários e alguns carros para distribuir”, finaliza Ana, enfatizando que a comunidade se uniu em uma força-tarefa em prol da solidariedade.