[[legacy_image_107605]] Após três meses de tratamento, uma foca-caranguejeira encontrada debilitada por munícipes retornou à vida marinha na cidade de São Sebastião, no litoral Norte. A Prefeitura informou nesta terça-feira (28) que o animal recebeu reforço nutricional e ganhou peso, o que o preparou para o retorno ao mar. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! "Foi seguido um protocolo com normativas para animais antárticos e subantárticos, que atesta o processo de reabilitação e garante a ausência de enfermidades no animal", diz a Prefeitura em nota. HistóricoMoradores do bairro Calhetas haviam encontrado a foca na areia da praia e acionaram a equipe do Instituto Argonauta, parceiro da Prefeitura de São Sebastião, na Unidade de Estabilização situada no Balneário dos Trabalhadores. O Instituto, que pertence ao Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), avaliou as condições de saúde do animal no momento do resgate e constatou que a foca estava fraca, apática e com algumas lesões na pele. Ela foi devidamente transferida para o Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) em Ubatuba, onde foi cuidada por veterinários. “Mais do que ganhar peso, o animal tem que conseguir se alimentar sozinho, estar livre de doenças e com as reações esperadas para a espécie”, explica a bióloga Carla Beatriz Barbosa, diretora executiva do Instituto Argonauta e Coordenadora do PMP-BS Trecho 10. O animal recebeu uma marcação nas nadadeiras para facilitar a identificação em um possível novo avistamento. A soltura da foca foi realizada nesta semana, em mar aberto, em região próxima à que foi encontrada, para auxiliá-la na sua jornada de volta para casa. A operação contou também com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio da equipe do oceanógrafo Milton Kampel, pesquisador responsável pelo Laboratório MOceanS (Monitoramento Oceânico por Satélite); da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática; e da Coordenação-Geral de Ciências da Terra do INPE, que monitorou e forneceu as informações sobre as correntes marítimas que melhor se encaixavam ao desempenho da foca. O animal encontrado possuía cerca de 1,60m (a espécie pode atingir até 2,60m). Entre as características físicas estão cabeça e focinhos largos, nadadeiras anteriores grandes e em forma de remo, e pelagem com coloração clara. Apesar do nome popular, essa espécie, Lobodon carcinophaga, não come caranguejos, e sim pequenos crustáceos como o krill, pequenos peixes e lulas. Costuma aparecer principalmente na região subantártica e Antártica. No Brasil, há registros ocasionais da foca-caranguejeira na região Sul e Sudeste, sendo que é a terceira ocorrência da espécie no Litoral Norte de São Paulo nos últimos 12 anos.