[[legacy_image_291436]] Ossos expostos, sepulturas quebradas e entulho. Esse tem sido o cenário de filme de terror no Cemitério Municipal do Jardim Coronel, na Avenida Nossa Senhora da Conceição, Itanhaém, litoral de São Paulo, segundo denúncias recebidas pela Reportagem na tarde desta quarta-feira (23). Um vídeo gravado no local na última segunda-feira (21) mostra a situação (assista mais abaixo). Esta não é a primeira vez que A Tribuna recebe denúncias referente ao local. Em junho de 2021, moradores ficaram revoltados com o armazenamento de ossadas humanas em sacos de lixo preto, guardadas em uma sala do local. A Reportagem esteve no cemitério nesta quarta-feira (23) e conversou com vizinhos do local, que pediram para não ter os nomes divulgados. Um deles afirma que o cemitério é mal cuidado, com muros ‘escuros como carvão’ e luzes queimadas. “É muito mosquito, ossada, resto de caixão velho. É coisa que a gente fica apavorado”, conta. Outra moradora afirma que o cemitério está um ‘descaso total’. “Deixaram os restos das pessoas jogados lá, os ossos tudo expostos. Horrível demais”. David Ricardo Santos da Silva, de 26 anos, conta que visita o cemitério com frequência, e que a situação de descaso dura há anos. “Eu acho que é um descaso. Não é porque a pessoa morreu que acabou”, explica. Ele foi responsável por gravar os vídeos na última segunda e enviar para a Reportagem. De acordo com David, munícipes já foram até a Prefeitura exigir um novo cemitério para a Cidade, com sepultamento e ossário ‘dignos’, pois há ossadas que são jogadas na terra. “Já é um ambiente de tristeza e de dor, e você vai até lá e encontra ele desse jeito, ‘jogado às traças’, e a Prefeitura não faz nada”, dispara. O aposentado Paulo Munhoz, de 67 anos, retrata em seu canal no Youtube, a sua indignação com o cemitério há pouco mais de três meses. Em vídeos, ele expõe a situação do local e mostra detalhes do ‘descaso’. “Os cadáveres estão sendo desenterrados fora de tempo, há túmulos abertos, abandono de ossadas”, diz. [[legacy_image_291437]] Ele ainda afirma que há muitos mosquitos no local, que entram e saem das gavetas quebradas. Além disso, ressalta que há ossadas que ficam dentro de sacos pretos de lixo, e que alguns desses sacos acabam ficando abertos e com os restos mortais expostos. Munhoz também conta que muitos corpos estão sendo desenterrados antes do tempo determinado, pois não há espaço para novos sepultamentos. Ele conta uma situação que afirma ter vivenciado após a morte de sua mãe, há alguns anos. “Ela foi exumada e eu não fiquei sabendo, quando eu fui procurar já tinham desenterrado e sumido com os ossos. Eu nunca mais achei os ossos da minha mãe”. Por esses e outros motivos, o aposentado procurou o Ministério Público (MP) Estadual em maio para apresentar as denúncias e diz que voltará a denunciar a situação do local. LegislativoO vereador Henrique Garzon (Podemos) também é autor de reclamações sobre o cemitério em redes sociais, e em um vídeo ele aponta descaso com o local. De acordo com ele, o assunto também já foi abordado por ele em sessões plenárias da cidade e apresentado por meio de requerimentos à Prefeitura. “É algo terrível, ficamos muito estarrecidos. O estado de lá (cemitério) é muito triste”, conta. ReportagemNa tarde desta quarta-feira, a Reportagem no local notou a situação de ‘abandono’, com resto de caixões em lixeira, entulho, mau cheiro e instalações sujas e com muito mato em volta. Apesar disso, não estava igual aos registros feitos em vídeo na segunda-feira (com ossos espalhados). [[legacy_image_291438]] PrefeituraEm nota a Prefeitura de Itanhaém informou que o local passou por reformas recentemente, tendo recebido manutenção e melhorias estruturais. Disse que o equipamento público possui equipe fixa de zeladoria, bem como coveiros e auxiliares que atuam permanentemente no local. Em relação aos restos mortais, a Prefeitura explicou após o prazo de três anos é realizada a exumação e fica sendo opcional a família encaminhar para o ossário municipal (mediante pagamento de uma taxa) ou realizar a retirada para transferência para outro local de sua escolha. "Nos casos cuja família opta pela não transferência ou retirada, a Administração realiza o acondicionamento temporário até que os mesmos sejam enviados para um local licenciado e adequado para recepção". A Prefeitura informa ainda que existe um projeto elaborado para ampliação e modernização do local que se encontra em fase de captação de recursos para sua execução. Com relação às imagens das ossadas enviadas para A Tribuna, a Prefeitura afirma que o cemitério sofreu "atos de vandalismo" identificados na terça-feira (22) pelo administrador do equipamento, tendo "causado estranheza" a rápida veiculação das imagens. "A Prefeitura apura a possível manipulação das imagens com objetivo de prejudicar a Administração Municipal".