[[legacy_image_344667]] E se você pudesse reencontrar o seu anjo da guarda na Terra em carne e osso? O comerciante Arthur Felipe Pinheiro de Barros, de 31 anos, vivenciou essa experiência. Ele sofreu um mal súbito enquanto corria na rua, em Itanhaém, no Litoral de São Paulo, e foi imediatamente socorrido por uma guarda-vidas e um fisioterapeuta que passavam pelo local bem na hora. O socorro prestado foi crucial para que ele sobrevivesse. O fato ocorreu em 7 de fevereiro. Ele ficou nove dias em coma, quase um mês internado e, na última quarta-feira (20), reencontrou a guarda-vidas que o socorreu. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, a soldado PM do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Ariane de Lucas, de 30 anos, conta que o reencontro foi na casa de Arthur. “Reencontrar o rapaz que eu deixei praticamente sem vida dentro da ambulância recuperado foi muito emocionante. Ao longo de todo esse tempo, eu mantive contato com a mãe dele e ela ia me falando sobre a sua evolução. Até uns dias antes de receber alta, ele falava e andava com dificuldade, mas quando eu o encontrei, no dia 20, ele já estava andando sozinho, sem ajuda de aparelhos e sem o auxílio de ninguém!”. Ariane define o dia em que socorreu Arthur, junto com o fisioterapeuta Thiago Nunes Basso, como um evento predestinado. “Eu tinha acabado de sair do serviço, por volta das 18 horas, e resolvi tomar um sorvete, no bairro Mosteiro, quando me deparei com o Arthur caído. Naquele dia, eu fiz um caminho que eu nunca faço, o Thiago, que sempre atendia um paciente naquela rua pela manhã, nesse dia foi no período da tarde, e acabou coincidindo de a gente estar passando onde o Arthur passou mal e conseguimos socorrê-lo”. Ariane e Thiago não se conheciam e ela acredita que estarem juntos naquele momento foi determinante para salvar a vida do comerciante. “Nós não nos conhecíamos e estávamos no lugar certo, na hora certa. Estarmos juntos naquela hora salvou a vida do Arthur. Se eu estivesse sozinha ou o Thiago, não teríamos conseguido, então, eu penso que foi coisa de Deus”, declara a guarda-vidas. Ariane detalha como foi o atendimento prestado ao comerciante. “A pulsação do Arthur estava fraca. Ele não tinha pulso radial, só central, mas o Thiago tinha um estetoscópio, o que ajudou na percepção da parada cardíaca. Então, foi feita massagem cardíaca e a liberação das vias áreas dele”. Ariane conta que quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) assumiu a ocorrência, foi utilizado um desfibrilador — aparelho que produz choque elétrico no coração para restabelecer o ritmo cardíaco —, mas não conseguiram intubar Arthur no local. O comerciante teve uma morte súbita abortada. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), isto acontece quando a morte decorrente de uma arritmia grave é evitada graças à detecção precoce e conduta eficiente. “Saber que ele é marido de alguém, que tem uma filha, e que eu fui um instrumento de Deus para poder proporcionar esse reencontro para a sua família foi bem emocionante. Essa foi a ocorrência que mais me marcou”, diz Ariane, que atua como guarda-vidas desde junho de 2019.