Clientes de um supermercado em Itanhaém, no litoral de São Paulo, foram surpreendidos pela visita inusitada de um grupo de saguis. Os animais circularam livremente pela área dos caixas de autoatendimento e chamaram a atenção de quem fazia compras no local. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O episódio ocorreu em uma unidade do Extra, no bairro Belas Artes, e foi registrado por um morador da região no último dia 24, sexta-feira. Nas imagens, os animais aparecem caminhando pelo interior do estabelecimento, despertando a curiosidade dos clientes e se tornando a principal atração do momento. É possível ver ao menos três saguis. Segundo o morador, que preferiu não se identificar, o supermercado está localizado próximo a uma área de mata, onde os saguis vivem naturalmente. Ele conta que, há alguns anos, os animais costumavam aparecer apenas na área externa, perto dos carrinhos de compras, mas passaram a entrar no mercado após serem alimentados por frequentadores. "Parece que o pessoal foi alimentando (os saguis). Compravam bananas no mercado e davam para eles. Aos poucos, os saguis foram entrando. Agora estavam todos dentro do supermercado", relatou. -Saguis em supermercado (1.524005) Risco Embora a cena pareça divertida, especialistas fazem um alerta. De acordo com o biólogo Eric Comin, os animais vistos nas imagens são saguis-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), também conhecidos como soim, mico-estrela ou sagui-comum. A espécie é nativa da região Nordeste do Brasil, principalmente da Caatinga e da Mata Atlântica, mas foi introduzida no Sudeste e no Sul por ação humana e pelo comércio ilegal de animais silvestres. Atualmente, está adaptada às áreas urbanas, sendo comum encontrá-la em parques, praças e regiões próximas a fragmentos de mata. O especialista explica que os saguis são facilmente identificados pelos tufos de pelos brancos ao redor das orelhas, pela mancha branca na testa e pela cauda longa com anéis claros e escuros. Os adultos medem entre 20 e 30 centímetros de comprimento, sem contar a cauda, e pesam, em média, de 350 a 450 gramas. Segundo Comin, trata-se de uma espécie onívora e oportunista, que na natureza se alimenta de frutos, insetos, ovos, pequenos lagartos e, principalmente, da seiva das árvores, extraída com os dentes incisivos adaptados para essa função. Apesar da aparência dócil e curiosa, o biólogo ressalta que os animais não devem ser alimentados nem tocados. "Quando recebem comida das pessoas, eles passam a depender desse alimento fácil e deixam de exercer comportamentos naturais, como procurar insetos e extrair seiva das árvores. Os saguis encontram tudo o que precisam sozinhos nas matas e até mesmo nas árvores das áreas urbanas", explica. Outro problema é que o contato frequente com seres humanos pode colocar a própria espécie em risco. De acordo com Comin, doenças comuns nas pessoas, como o vírus da herpes labial, podem ser fatais para os saguis. Além disso, alimentos consumidos pelos humanos, como pães, biscoitos e até frutas cultivadas muito doces, podem provocar obesidade, diabetes, problemas renais e cáries nos animais. O especialista destaca ainda que alimentar animais silvestres pode configurar infração ambiental por interferir na fauna. "A melhor forma de admirar esses animais é observá-los de longe, sem oferecer alimentos e sem interferir no comportamento natural deles", orienta. Como curiosidade, Comin explica que os saguis possuem uma característica rara entre os mamíferos: machos e fêmeas enxergam as cores de maneira diferente. Enquanto as fêmeas têm visão tricromática, semelhante à dos seres humanos, os machos são dicromatas e têm dificuldade para distinguir o verde do vermelho. Essa diferença beneficia o grupo, pois os machos detectam melhor animais camuflados, enquanto as fêmeas conseguem identificar com mais facilidade frutas maduras.