Registro gerou questionamentos sobre o acondicionamento de restos mortais em Mongaguá (Reprodução/ Redes sociais/ Transparência Itanhaém) Imagens capturadas por drone no Cemitério da Igualdade, em Mongaguá, no litoral de São Paulo, chamaram a atenção na quinta-feira (8) ao revelarem uma estrutura destinada ao armazenamento de ossadas com uma grande quantidade de restos mortais expostos. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No registro, que repercutiu nas redes sociais, é possível observar uma estrutura alta em formato de poço, protegida por uma grade metálica. No interior estavam dezenas de ossos humanos com crânios amontoados sobre lonas azuis, sem a separação individualizada em urnas ou gavetas. A denúncia e divulgação das imagens foi feita pelo jornalista Flávio Luis de Moraes Costa. Ele conta que, depois do registro na quinta-feira (8), sua equipe compareceu ao local no dia seguinte e avistou mais de perto a situação. “A situação chamou a atenção pelas condições em que as ossadas aparecem no local e levanta questionamentos sobre o acondicionamento e a conservação desses restos mortais. Fizemos a imagem na quinta, voltamos na sexta e postamos”, afirma. -Ossada cemitério exposta (1.533179) Posicionamento da Prefeitura Em nota, a Prefeitura de Mongaguá esclareceu que o espaço em questão é uma estrutura restrita, utilizada exclusivamente para o armazenamento de ossadas de exumações administrativas, procedimento realizado quando os prazos legais de sepultamento se encerram sem que os familiares providenciem a retirada dos restos mortais. A Administração Municipal destacou ainda que o material armazenado é composto exclusivamente por ossos secos e não representa risco de contaminação. A Prefeitura explicou ainda que a maioria dos microrganismos causadores de doenças depende de condições específicas para sobreviver e se multiplicar. Além disso, o Município reconheceu que a situação reflete um problema estrutural e crônico de falta de espaço que se arrasta há anos no cemitério de Mongaguá. Segundo a gestão, a estrutura utilizada para o depósito das ossadas já existia e era adotada por administrações anteriores com a mesma finalidade. A Prefeitura informou que já vem adotando medidas definitivas de modernização e ampliação. Entre as ações está o decreto de desapropriação de áreas vizinhas (Decreto nº 8.100/ 2026), de agosto deste ano, para a expansão do terreno do cemitério. O Município destacou a aprovação de leis recentes que viabilizam a futura instalação de um crematório na cidade da Baixada Santista. Por fim, a Prefeitura garantiu que o espaço recebe manutenção periódica e que, com a conclusão da expansão física do terreno, novos modelos e formas de acondicionamento para os materiais exumados serão estudados. Ossadas expostas sem a separação individualizada, em urnas ou gavetas, no cemitério de Mongaguá (Reprodução/ Redes sociais/ Transparência Itanhaém) Denúncias similares Flávio relembrou que também denunciou uma situação similar no passado, mas em Itanhaém. Em 2021, foram encontradas dezenas de sacos com ossos humanos abandonados e empilhados em um almoxarifado no Cemitério Jardim Coronel. Na ocasião, o jornalista divulgou as imagens e denunciou ao Ministério Público. A Prefeitura de Itanhaém tomou medidas semelhantes às de Mongaguá, informando que o procedimento era legal e que, naquele momento, o local iria passar por uma ampliação. Assim, cinco anos depois, em 2026, a Prefeitura divulgou que as obras de reforma e ampliação do cemitério estavam em fase avançada. As modificações têm o objetivo de restaurar e modernizar diversas áreas do local, incluindo as internas.