Erosão em Cananéia tende a formar nova ilha no litoral de São Paulo (Divulgação / Defensoria Pública do Estado de São Paulo / Andre Noffs) Uma nova ilha pode se formar em Cananéia, no litoral sul de São Paulo, em decorrência dos processos de erosão na região. Segundo estimativas científicas, a faixa de areia existente pode se romper entre 2032 e 2034. Caso isso ocorra, a abertura de uma nova barra deverá isolar a porção sul da Ilha do Cardoso, resultando na formação da nova ilha. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O trecho mais vulnerável está na restinga que separa o Oceano Atlântico do Canal do Ararapira, estuário que marca a divisa entre São Paulo e Paraná. Essa faixa de areia, que já teve cerca de 100 metros de largura, foi reduzida para aproximadamente 20 metros em seu ponto mais estreito. Parte da área cedeu em 2018, após uma forte ressaca na Enseada da Baleia, o que modificou o padrão das correntes e intensificou o processo de erosão ao norte, de acordo com informações do jornal O Globo. Atualmente, o processo já resultou na formação de um canal com aproximadamente 170 metros de largura e três metros de profundidade, o que tem dificultado o deslocamento por terra dos moradores. Se o rompimento avançar, a área localizada ao sul do estreito, com cerca de seis quilômetros de extensão, poderá ficar totalmente cercada pela água. Debate judicial Com o avanço da erosão, passou a ser debatida a possibilidade de enrocamento, técnica que utiliza blocos de pedra para reduzir o impacto das ondas. Especialistas, no entanto, alertam que esse tipo de intervenção rígida pode transferir o problema para áreas próximas e acelerar o desgaste em outros pontos da costa. Neste mês, a Justiça estabeleceu um prazo de 45 dias para que o Governo do Estado apresente medidas para lidar com a situação, atendendo a um pedido do Ministério Público, que classificou o cenário como crítico e cobrou a elaboração de um plano de contingência. Monitoramento e plano judicial Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, para o jornal O Globo, a Fundação Florestal realiza o monitoramento da área por meio de drones, sensoriamento remoto e vistorias periódicas, além de analisar um projeto técnico preliminar voltado à região. A pasta destacou ainda que o Governo do Estado considera a alteração da linha da costa um fenômeno natural, possivelmente intensificado por eventos climáticos extremos e pela elevação do nível do mar. A nota também menciona que quatro famílias vivem a cerca de um quilômetro do ponto mais sensível e que um plano de adaptação climática está em elaboração para definir áreas seguras de ocupação nas próximas décadas. Embora a paisagem possa mudar, o principal desafio é conciliar a preservação ambiental com a proteção das comunidades que vivem da pesca e da dinâmica do estuário.