A aposentada perdeu alimentos e bebidas na geladeira, além de outros prejuízos decorrentes do corte no fornecimento de eletricidade à sua casa, em Itanhaém (Arquivo pessoal) Uma professora aposentada de 63 anos ficou mais de cinco dias sem energia elétrica em casa, em Itanhaém, no litoral de São Paulo, mesmo após a Justiça determinar que a Neoenergia Elektro restabelecesse o serviço em até 24 horas. O corte ocorreu em meio a uma disputa na Justiça, iniciada em 2024 por uma cobrança de R\$ 1.683,62, que posteriormente foi considerada inexigível judicialmente. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Andréa Ferreira Pellegrini conta que o problema começou após a troca do medidor de energia da residência. Meses depois, recebeu uma cobrança referente a uma suposta diferença de consumo. No processo, a concessionária sustentou que uma inspeção havia identificado irregularidade e manipulação no equipamento. A Justiça, entretanto, entendeu que a Neoenergia Elektro não comprovou que o problema tivesse sido provocado pela consumidora, nem demonstrou fraude capaz de justificar a cobrança. Neoenergia Elektro recorreu A Neoenergia Elektro recorreu a decisão. Em março deste ano, porém, a 5ª Turma Recursal Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo negou o recurso e manteve a decisão. O acórdão destacou a ausência de demonstração de que a irregularidade no medidor tivesse sido provocada por fraude. A decisão transitou em julgado em 24 de abril, encerrando a possibilidade de recurso naquela ação. Andréa afirma que, apesar disso, a cobrança continuou aparecendo no sistema da concessionária. Segundo ela, entre maio e junho, procurou pessoalmente a empresa duas vezes para pedir a retirada do débito. Em 9 de setembro, uma equipe da concessionária foi até a residência da aposentada para interromper o fornecimento de energia elétrica. Andréa afirma que informou os funcionários da companhia sobre a ação judicial e enviou o processo por WhatsApp para que a situação fosse analisada pela empresa. Segundo a aposentada, a equipe retornou no dia seguinte. Ela conta que um funcionário informou que, após consultar o setor jurídico, a interpretação da empresa era de que a professora não havia conseguido cancelar a dívida, mas apenas reduzir o valor cobrado. Andréa contestou e se recusou a pagar. Segundo ela, o funcionário teria respondido: “Por que a senhora não paga? Paga que eu não corto”. A professora afirmou que não pagaria por considerar que a dívida já havia sido afastada pela Justiça. Na sequência, segundo seu relato, o fornecimento de energia foi interrompido. Justiça determinou religação em 24 horas Após o corte, Andréa voltou à Justiça. Em decisão de 11 de setembro, a juíza determinou o imediato restabelecimento do fornecimento, estabelecendo prazo máximo de 24 horas a partir da intimação da empresa. A decisão também proibiu uma nova suspensão baseada exclusivamente no débito discutido no processo e fixou multa diária de R\$ 100 em caso de descumprimento, inicialmente limitada a R\$ 1 mil. Andréa conta que soube da determinação por meio da advogada e chegou a ir pessoalmente ao fórum. Segundo ela, uma funcionária informou que a intimação havia sido encaminhada ao oficial de Justiça. A professora afirma, porém, que mesmo depois disso a energia continuou desligada. Alimentos perdidos e rotina afetada A falta de eletricidade também provocou prejuízos dentro de casa. Andréa mora com o marido, de 65 anos, e a cunhada, de 73. Nenhum dos três depende de equipamentos elétricos para cuidados especiais de saúde. A aposentada afirma que perdeu alimentos armazenados nas duas geladeiras da residência, entre eles feijão, ovos, leite, maionese, saladas, legumes e produtos congelados. Também relata a perda de bebidas e sacos de gelo. Andrea acrescenta que teve gastos extras com combustível devido às idas ao fórum e ao escritório da advogada. Além do prejuízo financeiro, relata desgaste emocional diante da situação. “Você se sente totalmente desprotegido”, afirma. Segundo ela, a situação se tornou ainda mais difícil por existir uma decisão judicial sobre a cobrança e, posteriormente, uma determinação específica para o restabelecimento da energia. A defesa da professora vem comunicando à Justiça a permanência do corte. Em manifestação apresentada no domingo (13), pediu a adoção de novas medidas para obrigar a concessionária a restabelecer o serviço, além do aumento da multa e do pagamento de danos materiais e morais decorrentes do episódio. Os pedidos ainda dependem de análise judicial. Posicionamento A reportagem procurou a Neoenergia Elektro e questionou a concessionária sobre o motivo do corte, a manutenção da cobrança após a decisão judicial e o cumprimento da ordem de religação. Em nota, a Neoenergia Elektro informou que procederá com a regularização do fornecimento de energia da unidade consumidora questionada.