[[legacy_image_80692]] Após mais de um mês que participou de um ato contra o governo federal, a moradora de Peruíbe, Fernanda Calvi Avic, de 35 anos, recebeu uma multa por ‘uso de buzina em carreata’ (veja acima). A notificação chegou na terça-feira (13) e foi uma surpresa para a publicitária que esteve no protesto no dia 29 de maio. “Fiquei surpreendida e indignada”, destaca a mulher, considerando a infração ‘sem justificativas’. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em conversa com A Tribuna, Fernanda conta que a ação ‘Fora Bolsonaro’ em Peruíbe acompanhava a onda de manifestações por todo o Brasil e que além da carreata, diversas pessoas iam em passeata atrás dos carros, bem como de bicicleta. “Todos os carros iam buzinando. Não passamos perto da UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e em Peruíbe não tem hospital”, ressalta a mulher, relembrando que a buzina é proibida próxima a unidades hospitalares. Segundo a publicitária, quando o ato chegou próximo à Rodoviária da cidade, foi possível ver viaturas da Polícia Militar estacionadas. “Quando eu estava na carreata vi os PMs parados e chegamos a comentar que eles poderiam estar aplicando multas”, diz. Porém, ela não foi abordada e seguiu a carreata, que logo em seguida terminou. “Meu questionamento é sobre o motivo e validade legal da multa. Se eu estivesse comemorando um título de futebol não teria sido multada, o que estamos vivendo é cerceamento de liberdade de manifestação”, enfatiza Fernanda. Revoltada, a publicitária postou sobre o ocorrido nas redes sociais, quando recebeu mensagens de apoio e choque de diversas pessoas. Ela conta que um amigo relatou a mesma situação no protesto que aconteceu em Brasília, mas na ocasião mais de 60 multas foram aplicadas. Desta forma, ela pesquisou sobre o caso e confirmou a informação, por isso, relembra outras situações parecidas: “Esses dias uma mulher foi presa por fazer panelaço Fora Bolsonaro, além disso temos o Rodrigo Pilha, que foi preso por chamar Bolsonaro de genocida”. Segundo a publicitária, estes movimentos podem ser considerados ‘perigosos’. “Estamos sendo impedidos de nos posicionar politicamente e para isso estão sendo usadas as ferramentas do estado”, explica. Fernanda ainda enfatiza que a carreata tinha autorização da Prefeitura e que irá tentar entrar com recurso contra a multa. De acordo com a publicitária, ela já esteve em inúmeras manifestações e afirma que algumas vezes a polícia age com violência para reprimir os atos: “Mas a impressão que eu tenho é que atualmente o estado está todo aparelhado, que de fato caminhamos para um regime de ditadura e que, se o Bolsonaro continuar a ocupar o cargo que ocupa, iremos chegar nesse extremo”. Porém, Fernanda relembra que o Brasil ainda vive em uma democracia, por isso ela possui o direito e dever de se posicionar politicamente. “Apesar de me sentir injustiçada e com esse direito cerceado, vou continuar me posicionando contra esse governo”, finaliza. Procurado pela reportagem, o Detran-SP afirmou, em nota, que o órgão de trânsito da prefeitura municipal que fiscaliza este tipo de infração. Desta forma, A Tribuna entrou em contato com a Administração Municipal de Peruíbe, que enviou uma nota. Leia na íntegra: De acordo com o secretário municipal de Defesa Social, José Romeu Dutra, como esse tipo de autuação pode ter sido feita pela Polícia Militar, sem saber qual o agente (PM ou Municipal) que multou a moradora, não é possível identificar o caso para confirmar se realmente foi uma ação do município.