Empresa não tem recolhido o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mesmo descontando na folha de pagamento (Vanessa Medeiros/TV Tribuna) Merendeiras da rede municipal de ensino de Itanhaém, no Litoral de São Paulo, entraram em greve devido aos atrasos em pagamentos de salário, que vêm ocorrendo há aproximadamente 2 anos. As aulas em 54 instituições de ensino, contando com creches e escolas do fundamental 1 e 2, foram canceladas nesta segunda-feira (10). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma merendeira, que preferiu não ser identificada, afirmou que na última sexta-feira (7), após movimentação nas redes sociais, a empresa terceirizada responsável pelo pagamento depositou apenas metade de cada salário, e não pagou o restante. A colaboradora ainda alega que a empresa não tem recolhido o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mesmo descontando na folha. Outra merendeira, que foi demitida no começo do ano, e que também não quis ser identificada, afirmou que até hoje não recebeu o fundo de garantia. "Esta não é apenas uma questão de finanças, é uma questão de dignidade e respeito pelo trabalho que realizamos. Nos encontramos em uma situação difícil, lutando para pagar contas básicas e sustentar nossas famílias. Não podemos continuar a trabalhar sob estas condições injustas e desumanas", declara. As trabalhadoras se reuniram, em um grupo com mais de 30 pessoas, para protestar em frente a Prefeitura Municipal de Itanhaém, por volta das 7h desta segunda-feira (10). Com isso, algumas foram convocadas para uma reunião com o Secretario de Comunicação, Gilberto Andriguetto Júnior. Prefeitura alegou que não sabia dos problemas que as funcionárias vinham enfrentando (Vanessa Medeiros/TV Tribuna) Conforme informado pelas presentes na reunião, foi dito que a prefeitura não sabia dos problemas que as funcionárias vinham enfrentando, por motivos de serem contratadas de uma empresa terceirizada, a Apetece. Em uma captura de tela obtida por a tribuna, a Escola Municipal Silvia Marasca, às 08h59, enviou o seguinte comunicado. "Devido à paralisação das merendeiras escolares, os alunos serão dispensados hoje na hora do intervalo, às 09h50. Contamos com a compreensão de todos". O que dizem os pais de alunos? A manicure Daiane Fernandes, de 35 anos, comentou a paralização. "O que fazem as mães que precisam trabalhar e não tem com quem deixar seus filhos? A prefeitura vai cobrir o dia de trabalho das mães? Isso é um absurdo. Minha filha tem autismo e chorou muito por ter ido até a escola mas ter que voltar para casa", relata. A comerciante Caroline Gastaldini, de 31 anos, se solidarizou com o movimento. "Não sou contra a paralisação, até porque esse foi o meio que elas tiveram para chamar atenção das autoridades, mas também fui afetada pois trabalho e tenho três crianças em casa", comenta. Posicionamento Em nota, a Prefeitura de Itanhaém informou que todos os pagamentos com a empresa Apetece, responsável pela merenda escolar na cidade, estão regularizados, e que eles disseram ter realizado o pagamento de todas as pendências nesta segunda-feira (10) O órgão ainda afirmou que os representantes de cada categoria se comprometeram a retornar às atividades, e garantiu que está acompanhando os desdobramentos da situação junto com a empresa. Também em nota, a Apetece informou que nunca atrasou os pagamentos, mas que atualmente está enfrentando dificuldades financeiras, porque os clientes não estão acertando as contas, e pagaram os 60% na última sexta-feira (7), para poder pagar o restante nesta semana.