Bento começou a estudar idiomas antes de saber escrever (Helen Medeiros) Após nove meses de gestação, nascia Bento Medeiros Versuti, no dia 9 de junho de 2018. Sua mãe, a psicóloga Helen Medeiros, de 38 anos, não sabia que havia acabado de gerar uma pessoa com uma mente brilhante. O menino mora com a família em Peruíbe, Litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para A Tribuna, Helen disse que antes de Bento ser identificado como uma pessoa de Quociente de Inteligência (QI) elevado em relação à maior parte da sociedade, já via que seu filho possuía percepção diferente de outras crianças da idade dele, quando tinha apenas 10 meses. “Ele estava brincando comigo com um caminhão de bolinhas coloridas, e eu falei ‘pega a bolinha azul para a mamãe’, e quando eu fui pegar, ele pegou a bolinha azul na minha frente”. Depois desse dia ela passou a testar a capacidade de conhecimento de Bento, perguntando cores, números e formas e foi constatando que ele correspondia. Com 1 ano de idade, o menino já sabia todo o alfabeto. “Depois de a gente ver esse desenvolvimento diferente, começamos a registrar vídeos de coisas que ele sabia fazer, porque às vezes as pessoas não acreditavam ou atribuíam isso a ser algo comum”, comentou Helen. Por atuar no ramo da psicologia, ela percebeu algumas coisas que estavam fora da curva de desenvolvimento do seu filho. Superdotado Quando Bento completou 3 anos de idade, realizou uma avaliação neuropsicológica, na qual constatou que o menino era superdotado. Sua mãe disse que ele se interessava por línguas, antes mesmo de saber escrever. “Ele pegava o controle da televisão e pesquisava por voz o alfabeto em francês, russo, algumas coisas de geografia, países, planetas, e a gente achava curioso”. Por existir instrumentos mais completos para dar outros patamares de avaliação, além de instrumentos mais específicos da superdotação, Bento realizou outro teste com 6 anos. Após essa nova avaliação, foi constatado que a inteligência do garoto era acima de 99% da população mundial. Por esse resultado ser raro, ele foi convidado para se associar à sociedade de superdotados Mensa. A palavra "Mensa" vem do latim e significa ‘mesa’, fazendo alusão à mesa (távola) redonda do rei Arthur, onde todos eram iguais. Assim, o Mensa pretende ressaltar o conceito de uma sociedade na qual não importam idade, nacionalidade, sexo, raça, religião, posição social, ideologia ou postura política dos membros. Adaptações na escola Por conta de sua superdotação, Bento precisa de um tratamento especial em relação às matérias que estuda, já que as recomendadas para a sua idade possuem nível intelectual inferior para ele. De acordo com sua mãe, a antiga escola do superdotado não aceitava o diagnóstico. Por isso, foi preciso que Bento mudasse de escola. Já em outra, passou a ter um plano educacional e enriquecimento curricular, estudando matérias do 3° ano do ensino fundamental. Hiperfocos de Bento Bento tem idiomas, geografia, matemática, astronomia e música como hiperfocos, ou seja, assuntos que ele possui maior interesse. O garoto gosta muito de música, mas possui um gosto diferente da maioria dos brasileiros. “(Ele) gosta de cantores geralmente estrangeiros, japoneses na sua maioria, como a Yama e a dupla Yoasobi”, disse a mãe. Entre os brasileiros, o menino gosta do cantor que se chama Bidesão. Ele também tem facilidade com instrumentos, chegando a conseguir tocar flauta com apenas duas aulas. Mãe de superdotado Apesar de ter um filho que conversa corretamente desde cedo, Helen disse que não é fácil ser mãe de um superdotado, como pensam. “Meu marido e eu somos muito engajados e procuramos nos informar constantemente em entender os direitos dele, além de desmistificar a visão de senso comum que permeia a superdotação. É uma condição atípica, então tem seus próprios desafios”, contou a psicóloga. Após seu filho entrar na sociedade Mensa, os pais de Bento perceberam que é importante ter um grupo que Bento se sinta pertencente, e por isso, vão correr ainda mais pelos direitos dele.