Imagens de câmeras de segurança da escola de Peruíbe só foram obtidas pela família meses após o ocorrido (Reprodução/ TV Tribuna) Um menino de 3 anos perdeu um dente após sofrer trauma na boca durante o horário da refeição em uma escola municipal de Peruíbe, no litoral de São Paulo. O incidente ocorreu no dia 20 de maio, na Escola Municipal Leão Novaes, e passou a ser questionado pela família após os responsáveis terem acesso às imagens das câmeras de segurança da unidade de ensino da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo os familiares, a criança teria batido a boca na quina de uma mesa enquanto era colocada em um banco por uma professora. Já a Prefeitura de Peruíbe afirma que o aluno resistiu à tentativa de ser reacomodado no refeitório, escorregou e atingiu o rosto, ferindo a boca. De acordo com a família, os responsáveis foram chamados na escola após serem informados de que o dente da criança havia caído. O menino foi levado a uma dentista particular, que, segundo os familiares, constatou trauma na região do canino inferior esquerdo. O pai registrou um boletim de ocorrência e o caso foi comunicado ao Conselho Tutelar. Segundo a TV Tribuna, o órgão apontou a ocorrência de “violência institucional” contra a criança. Prefeitura detalha dinâmica do caso Em resposta para A Tribuna, a Prefeitura de Peruíbe, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informou que o episódio ocorreu durante o horário da refeição, quando a docente responsável tentou reacomodar o aluno em um banco do refeitório para garantir maior acompanhamento e segurança. Segundo a Administração Municipal, a criança apresentou resistência e, após ser colocada próxima à mesa, escorregou, atingindo o rosto e ferindo a boca. A Prefeitura afirmou que, ao retirar o aluno do local, a professora identificou sangramento e a perda total de um dente, que foi recolhido e posteriormente entregue ao responsável. Ainda de acordo com o município, a equipe gestora acolheu a criança e acionou imediatamente a família. Conforme os registros das câmeras de monitoramento, o incidente ocorreu às 15h14 e os responsáveis chegaram à escola às 15h36, intervalo de 22 minutos. Atendimento de saúde A Prefeitura informou ainda que, no mesmo dia, a vice-direção procurou orientação junto ao serviço de odontologia da Unidade de Saúde da Família (Usafa). Segundo o município, a família optou por levar a criança a atendimento particular, realizado às 16h30. Posteriormente, conforme a Secretaria de Educação, foi agendada uma consulta especializada no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), com um cirurgião bucomaxilofacial, para continuidade do acompanhamento. Imagens e apuração A Secretaria de Educação afirmou ter colhido os relatos dos profissionais presentes e solicitado as gravações do sistema de monitoramento interno da escola. Segundo a pasta, as imagens foram encaminhadas às autoridades competentes, respeitando as disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Após analisar os registros na íntegra, a Prefeitura garantiu que não identificou agressão intencional, nem omissão de socorro por parte da professora ou de qualquer outro servidor. O município ressaltou ainda que a análise foi feita com base na gravação completa e não em eventuais trechos editados divulgados posteriormente. De acordo com a secretaria, logo após o episódio, a supervisora da unidade de ensino iniciou a coleta de informações e relatos para apuração de responsabilidades. A Prefeitura acrescentou que qualquer eventual conduta considerada equivocada por parte da docente será analisada após o retorno da profissional, que permanece afastada por motivo médico desde pouco depois do ocorrido. Transferência ocorreu quatro meses depois A criança permaneceu matriculada na escola até setembro. Segundo a Prefeitura, a transferência ocorreu somente no dia 22, quatro meses após o episódio. A Secretaria de Educação afirmou que, durante o período em que permaneceu matriculado na escola, o aluno manteve frequência e rotina regulares. O município informou ainda que a criança continuou recebendo acompanhamento multidisciplinar de saúde, incluindo atendimento de fonoaudiologia na rede pública. A Prefeitura de Peruíbe afirmou que mantém o compromisso com a proteção, a segurança e o bem-estar dos alunos da rede municipal e disse permanecer à disposição das autoridades para esclarecimentos sobre o caso.