Médicos de Mongaguá têm convivido com atrasos nos pagamentos (Imagem ilustrativa/Pixabay) Médicos que trabalham em unidades de saúde de Mongaguá, no litoral de São Paulo, têm convivido com um problema grave: falta de pagamento. Segundo eles, os salários não são pagos desde novembro. O problema afeta profissionais do pronto-socorro (PS) do bairro Vera Cruz e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Agenor de Campos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por conta disso, um grupo de quase 40 profissionais subscreveu um ofício enviado à Prefeitura e ao Hospital Beneficente São José de Herculândia, organização responsável pela execução dos serviços de saúde no município da Baixada Santista. A Tribuna apurou que uma paralisação chegou a ser programada para sexta-feira (13), mas acabou cancelada por medo de o pleito perder força devido à realização de alguns pagamentos. No texto, os médicos afirmam que, “apesar da efetiva prestação dos serviços públicos de saúde, permanecem pendentes pagamentos referentes às competências mencionadas, configurando inadimplemento reiterado”. E que “trata-se de remuneração decorrente de serviço público essencial, de natureza alimentar, cuja retenção compromete diretamente a subsistência dos profissionais e a regular continuidade da assistência à população”. “Já prometeram pagamentos em pelo menos três datas diferentes, falhando em cumprir o prometido todas as vezes”, diz um dos médicos, que preferiu não ser identificado. Ele conta que são atendidos, em média, 150 pacientes por plantão de 24 horas, sendo a maioria deles nas primeiras 12 horas, sem horário de almoço - que depende de acerto entre colegas e dependendo do fluxo da unidade de saúde. “Tudo isso para, no final das contas, não pagarem nada”, lamenta. “A única coisa que não atrasa são as contas”, emenda. O profissional ressalta que diversos médicos passaram o final de ano e Carnaval trabalhando com um volume altíssimo de pacientes. “Houve dias em que a unidade não ofereceu nenhuma retaguarda adicional por conta do fluxo aumentado de pacientes durante a temporada”, observa. Foram formalizadas queixas na Ouvidoria da Prefeitura, junto ao Ministério Público (MP) e no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O médico conta que o mês de novembro teve uma parte paga no final de janeiro, e que parte de dezembro foi paga um dia antes da paralisação prevista para sexta-feira (13). Outro lado Em nota, a Prefeitura de Mongaguá informa que possui uma Organização Social (OS) contratada para a gestão e atendimento na UPA e no pronto-socorro. Os pagamentos realizados diretamente aos médicos não são de responsabilidade da Administração Municipal, destaca. “A Prefeitura esclarece que os repasses financeiros à OS estão sendo realizados regularmente e encontram-se em dia”, diz. “Os serviços de urgência e emergência não podem ser paralisados. Diante do risco de desassistência nessas unidades, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, notificou formalmente o presidente da OS no dia 6 de março. Toda a comunicação está devidamente documentada”. A Administração Municipal entende que “eventuais questionamentos sobre atraso ou falta de pagamento aos profissionais devem ser direcionados à própria Organização Social” e que “cabe à OS garantir o cumprimento adequado dessas obrigações”. A reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Organização Social Hospital Beneficente São José de Herculândia, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para um posicionamento.