A tartaruga-de-couro foi achada morta em praia de Ilha Comprida; trata-se da maior espécie de tartaruga marinha do mundo (Reprodução) Uma tartaruga-de-couro fêmea (Dermochelys coriacea) foi encontrada morta na faixa de areia em Ilha comprida, no litoral de São Paulo, na quinta-feira (1º). Segundo o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), o animal, que também é conhecido como tartaruga-gigante, foi encontrado durante o monitoramento diário realizado na cidade. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A tartaruga possuía incríveis 176 cm de comprimento total e 144,4 cm de comprimento curvilíneo de carapaça. Seu corpo já se encontrava em estágio avançado de decomposição quando foi encontrado e, devido a essa condição, a causa da morte não foi identificada. No entanto, o instituto confirmou a existência de fragmentos de plástico mole no estômago do réptil. -Veja o vídeo (1.531777) Maior espécie de tartaruga marinha O biólogo marinho Eric Comin explica que a tartaruga-de-couro é a maior espécie de tartaruga marinha do mundo. Segundo o especialista, ela pode atingir mais de dois metros de comprimento e pesar até 900 quilos. Diferentemente de outras tartarugas, não possui uma carapaça rígida com placas ósseas. Em seu lugar, há uma camada de pele resistente e de textura semelhante à do couro, sustentada por milhares de pequenas placas de osso. Segundo o biólogo, as tartarugas-de-couro realizam algumas das maiores jornadas migratórias do reino animal, sendo capazes de nadar mais de 10 mil quilômetros por ano, cruzando oceanos inteiros entre as zonas de alimentação nas águas frias e as praias tropicais de desova. No Brasil, sua principal área de desova (locais que as tartarugas marinhas escolhem para botar seus ovos) fica no litoral norte do Espírito Santo. Eric Comin destaca que a espécie está classificada como vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), o que significa que essa tartaruga corre risco elevado de extinção na natureza em médio prazo, caso as ameaças ao seu habitat e à sua sobrevivência não sejam reduzidas. O biólogo marinho acrescenta que as maiores ameaças à espécie incluem poluição por plástico, pois as tartarugas confundem sacolas plásticas com águas-vivas, causando sufocamento ou bloqueio digestivo; pesca incidental, com muitas capturas acidentais em redes de pesca e espinhéis de alto-mar (aparelho composto por linhas e anzóis presos), e destruição do habitat, pois a iluminação artificial e urbanização nas praias de desova desorienta os filhotes. Uma das curiosidades mencionadas pelo biólogo é que, apesar de essas tartarugas poderem pesar quase uma tonelada, a dieta dessa espécie é composta inteiramente por animais macios e gelatinosos. Segundo Comin, uma única tartaruga-de-couro adulta pode consumir cerca de 600 águas-vivas por dia, o que equivale a comer quase o seu próprio peso corporal diariamente apenas para conseguir calorias suficientes.