Bento, aos 3 anos, já sabia ler e escrever (Arquivo pessoal) Bento Medeiros Versuti, de 6 anos, tem o Quociente de Inteligência (QI) de 134 e recentemente chegou a ser aceito em uma sociedade de superdotados. A mãe do menino, Helen Medeiros, de 38 anos, mora em Peruíbe, cidade do litoral de São Paulo e falou à reportagem de A Tribuna sobre o processo para encaixar o menino em alguma escola na Baixada Santista. Segundo ela, não há escola para superdotados no Brasil, então foi necessário muita pesquisa para achar o lugar ideal. "Você pode encontrar escolas que são consideradas de elite, que tem um ensino muito avançado e tudo mais, mas escola para superdotados não tem". "Pesquisamos quais eram as instituições mais adequadas na região, mas já tínhamos em mente de que seria um desafio. É um assunto novo no Brasil, ainda pouco falado e estudado", ressalta. A família então marcou reuniões com a coordenação de cada unidade escolar, para saber se eles conseguiram lidar com o laudo e a demanda. "Essa primeira escola particular passou confiança de primeira, então o matriculamos." Após o início das aulas, os pais solicitaram uma segunda reunião para avaliar a situação. "A gente sabia do direito dele só Plano Educacional Individualizado (PEI), mas a escola falou que ia ver, que precisava conhecer ele primeiro e que estava muito cedo ainda". "Só que era a primeira escola dele, e a gente não tinha muita informação. Eles enrolaram a gente por algum tempo e quando vimos que não estava tendo retorno nenhum, pedimos outra reunião, e nesse momento começou as negativas sobre as adaptações dele". De acordo com Helen, a diretora e proprietária da escola disse que para que ela entendesse o laudo, era necessário que o documento fosse feito com uma amiga dela. "Isso é crime. A gente afirmou que o laudo foi feito por uma doutora em psicologia, não por qualquer pessoa, e que eles deviam analisar e ver o que fazer". Em seis meses na mesma instituição, cujo nome a mãe optou por não revelar, o laudo nunca foi aberto pela coordenação pedagógica. "O tempo todo eles recusavam. A diretora falava 'tá, mas o que vocês querem?' e sempre tentava negar a adaptação e o direito de um ensino personalizado, no qual ele tem direito". "Sugerimos adaptações no plano geral de ensino, enriquecimento curricular e lições diferenciadas mas nunca colocaram nada em prática", relata. Diante do transtorno, os pais buscaram um especialista no assunto. O advogado Denner Pereira ficou completamente chocado diante do ocorrido. "Realmente cabia um processo. tudo o que a escola tinha feito ia contra a lei de inclusão e os direitos da criança com superdotação". Ao confrontarem a responsável pelo local, receberam a resposta de que 'ela era a Lei', e então pediram a transferência da criança. Com o processo judicial ainda em andamento, Bento agora estuda em uma subdivisão integrada do Colégio Objetivo. "Foram extremamente sinceros com a gente, de que nunca tinham tido nenhum aluno no nível dele, mas que fariam de tudo para adaptar e fazer o Plano Individualizado, adaptação curricular e tudo o que ele precisasse", comenta. A família segue fazendo reuniões, agora com um teor diferente, cheias de opções e sugestões. "A neuropsicologa sugeriu a aceleração dele, mas crianças não podem pular o primeiro ano do Ensino Fundamental no estado de São Paulo". "Estamos judicializando o pedido, mas só de trazer essa possibilidade da escola entender a necessidade da adaptação, já ficamos satisfeitos, porque existe a boa vontade e o respeito envolvido ", conclui. História de origem Aos 10 meses de vida, Bento já reconhecia cores, letras e formas. Aos 3 anos já sabia ler e escrever, e aos 4 dominava a letra cursiva e demostrou interesse pela língua russa. Em junho deste ano, o menino foi submetido a uma avaliação neuropsicológica que apontou o QI de 134, sendo que a média da população está na faixa dos 80. Com o resultado em mãos, Helen enviou o laudo do filho para a sociedade para super dotados Mensa e teve um retorno positivo. Mensa Internacional Fundada em 1946, no Reino Unido, a organização de alto QI é a mais antiga e prestigiada do mundo. O nome é 'Mensa', em latrin, é em referência à natureza a uma mesa redonda que representa a união de iguais. No Brasil, a organização existe há mais de 20 anos. Apenas pessoas com pontuações no percentil acima de 98 são aceitas. Os associados ganham acesso a uma comunidade diversificada de pensadores e oportunidades para atividades intelectuais, encontros sociais e desenvolvimento pessoal. Em agosto deste ano, a associação chegou à marca de 3,8 mil brasileiros com superdotação ou altas habilidades identificadas no país. Os identificados mais novos atualmente têm 2 e 3 anos, já o mais velho tem 95.