Resíduos da Ásia foram encontrados em Peruíbe (Reprodução e Divulgação/Prefeitura de Peruíbe) Um cenário preocupante tem chamado a atenção de ambientalistas no litoral de São Paulo: resíduos produzidos a milhares de quilômetros de distância, na Ásia, estão chegando até praias isoladas e protegidas em Peruíbe. O material percorreu mais de 17 mil quilômetros até alcançar a costa brasileira, evidenciando a dimensão global da poluição marinha. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A descoberta foi feita durante uma ação da Ecologia em Movimento em áreas da Estação Ecológica Juréia-Itatins, uma das regiões mais preservadas do estado. Entre os pontos afetados estão praias de difícil acesso, como Guarauzinho e Arpoador, onde a presença humana é limitada — o que reforça a origem externa dos resíduos encontrados. Ao todo, dezenas de itens foram recolhidos, incluindo embalagens plásticas, produtos industrializados e materiais utilizados em embarcações. Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores é que parte dos produtos ainda estava dentro do prazo de validade, sugerindo descarte recente no oceano. Origem internacional e predominância asiática A análise dos rótulos revelou que uma parcela significativa do lixo veio de fora do Brasil. A maior parte tem origem em países asiáticos, com destaque para a China, além de registros de itens da Malásia, Vietnã e até de nações da Europa. O levantamento da ECOMOV, aponta que a Ásia concentra a maioria dos resíduos estrangeiros encontrados, com 82% dos materiais internacionais, o que reforça a ligação com rotas marítimas internacionais. O descarte irregular de lixos na Ásia surpreendeu os moradores do litoral paulista (Reprodução) Rotas marítimas e descarte irregular A principal hipótese é que o lixo tenha sido descartado por navios durante o trajeto em alto-mar. A proximidade com o Porto de Santos (o maior da América Latina) aumenta a possibilidade de que embarcações tenham despejado seus resíduos de forma irregular. Levados pelas correntes oceânicas, esses materiais acabam viajando longas distâncias até atingir áreas costeiras, inclusive regiões ambientalmente protegidas. Impacto ambiental e investigação O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio de um grupo especializado em meio ambiente, que investiga a origem e possíveis responsabilidades. Além do impacto visual, o problema traz riscos diretos à biodiversidade. Animais marinhos podem ingerir ou ficar presos nos resíduos, comprometendo todo o equilíbrio do ecossistema local. A ocorrência reforça um alerta global: a poluição dos oceanos não respeita fronteiras. Mesmo áreas preservadas e afastadas da ação humana direta estão vulneráveis a um problema que começa, muitas vezes, do outro lado do mundo.