[[legacy_image_224613]] O sonho de trabalhar ao mesmo tempo em que conhece novos lugares do mundo ganha um novo capítulo na vida de um morador de Itanhaém nesta quinta-feira (24). Isso porque Raul José Alves Venâncio, de 22 anos, embarcou no navio de cruzeiro Costa Fascinosa, onde ficará a bordo por sete meses. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Formado em Turismo, o jovem conta que um dos motivos para a escolha da faculdade foi justamente a possibilidade de unir o útil ao agradável e viajar trabalhando. Por isso, o momento é tão especial. “Posso dizer que isso (trabalhar viajando) está se realizando. Falam que é um trabalho puxado e eu não espero menos, mas também quero aproveitar para conhecer as cidades por onde passarei”. As experiências proporcionadas pelo novo trabalho começaram na segunda-feira (22), quando Raul viajou de avião pela primeira vez e com destino à Itália. Na manhã desta quinta, ele embarcou pelo Porto de Gênova para a temporada de cruzeiros pela Europa. “Para uma pessoa que mal saiu do seu Estado, ir para outro país sozinho é muita loucura. Porém, é ainda mais louco conhecer outros países dentro do navio. É um sonho pela experiência que vai me dar. É uma coisa única”, destaca. Raul relata que a vontade de trabalhar em alto-mar surgiu há cerca de cinco anos, quando ingressou em um curso técnico de Turismo na Escola Técnica Estadual (Etec) de Mongaguá. Em uma das palestras pela qual participou, ele ouviu a história de uma mulher que despertou seu interesse. “Ela trabalhou embarcada na área de restaurante e recreação e contou sobre a experiência, mostrou fotos”, explica. De acordo com o turismólogo, ele nunca havia pensado na possibilidade. “Com a palestra, surgiu o interesse. E conforme permaneci no curso, a vontade foi ficando maior porque fui descobrindo como funciona o trabalho. Mas eu nunca tinha dado nenhum passo para isso, apenas surgiu a sementinha dentro de mim de que seria legal a experiência toda”. Ao terminar o curso técnico, Raul fez a faculdade de Turismo em Santos, onde teve a vontade ainda mais aflorada devido à proximidade com o maior porto do País. “Ajudou a ter o sonho mais alimentado porque a gente sempre ouve sobre os navios passando”. Considerando o inglês essencial para a formação, o jovem também passou a frequentar um curso da língua. Isso foi outro fator determinante para conseguir um trabalho a bordo. Do sonho à realidadeCom a formação e o novo idioma na bagagem, o jovem viu em 2022 a oportunidade de seguir o sonho. “Me falaram que esse ano a chance de dar certo era maior, porque precisariam de muita gente, então pensei: agora é a hora”, afirma, dizendo que iniciou o processo em busca do objetivo já no meio do ano, em uma agência especializada. Segundo Raul, o primeiro passo foi tirar o passaporte e montar um cadastro, como se fosse um currículo, pelo site da agência. A partir daí, ele escolheu a área de interesse. “Há solicitações que variam de acordo com o nível de experiência e de inglês. Eu optei pela parte de housekeeping do navio, que seria os serviços gerais”. Uma semana depois da solicitação, a entrevista do jovem foi marcada. “Dependendo da área é uma única entrevista. A minha foi rápida, durou uns 15 minutos”, relembra. Ele diz que a primeira devolutiva que recebeu foi a de que seu cadastro estava em stand-by. [[legacy_image_224614]] No entanto, Raul foi surpreendido no mês seguinte. “Eu já estava meio sem esperança quando eles mandaram outro e-mail dizendo que tinha uma companhia, que seria a Costa Crociere. Depois veio a informação de que seria o navio Costa Fascinosa. Nesse meio tempo, me pediram diversos documentos e tive que assinar contratos e termos de ciência”, explica. Entre as etapas do processo, o jovem ainda passou por uma prova de nível de inglês e participou de cursos específicos. “Tem um que é online, mas tem um dia de parte prática que é realizada com outras pessoas. É focado na proteção do navio e, no fim, há uma provinha escrita”, afirma sobre a capacitação que concluiu em setembro. Ao todo, o turismólogo calcula ter investido cerca de R\$ 3,5 mil durante o processo, sendo quase metade do valor gasto com cursos específicos e o resto em exames e documentos. “Eu tinha um dinheiro guardado e usei para arcar com esses custos, mas também tive ajuda da minha família, principalmente com o transporte para os locais”, explica, dizendo que por morar em Itanhaém, precisou se deslocar com frequência para Santos e São Paulo. Com todas as expectativas voltadas ao futuro, Raul se diz ansioso e nervoso com a nova realidade. “É um mix de emoções”, revela. Para ele, a parte mais complicada é a falta que vai sentir das pessoas próximas até junho do ano que vem. “A nova língua e o trabalho a gente se acostuma. A saudade é bem mais difícil, eu nunca fiquei tão longe”, finaliza.