A Ilha das Cobras tem acesso proibido e fica na costa de Itanhaém (Divulgação/ Marília Ruberti/ Comunicação Butantan) A Ilha da Queimada Grande é considerada a segunda ilha com maior densidade populacional de cobras do planeta, com uma média de 45 serpentes por hectare. A afirmação é do biólogo Eric Comin. Localizada a 35 km da costa continental de Itanhaém, no litoral de São Paulo, a ilha também é considerada a mais perigosa do mundo e abriga uma das serpentes mais venenosas da Terra. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Também conhecida como Ilha das Cobras, a origem do nome Queimada Grande vem dos pescadores da região. Eles sabiam que havia cobras na ilha. Para desembarcarem na local, portanto, ateavam fogo na mata para espantar as serpentes. A ação recorrente deu origem ao nome Queimada Grande. O biólogo Eric Comin conta que realiza mergulhos na ilha há quase 30 anos e também participou de diversas expedições de desembarque no local. Desembarques nessa área só são permitidos em casos de atividades científicas previamente autorizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O biólogo Eric Comin já mergulhou na região da Ilha das Cobras (Família Mergulho) O biólogo relata que, durante as expedições, um especialista fica sempre espantando as serpentes do chão, permitindo que os pesquisadores sigam caminho. Além disso, nessas atividades, normalmente os cientistas passam dias no local e acampam na ilha, sempre acompanhados de um médico que possui soro antiofídico à disposição. Segundo Eric Comin, a ilha é "um ambiente extremamente inóspito". O biólogo relata que, chegando ao local, existe uma trilha a ser feita e a partir desse ponto já é possível ver as primeiras serpentes. Uma das serpentes mais venenosas do mundo A ilha abriga a jararaca-ilhoa, uma espécie endêmica e considerada uma das serpentes mais venenosas do mundo. Eric Comin relata que essa cobra não ataca diretamente como outras espécies de jararacas, mas intimida pelo olhar. "O que eu percebi é que ela não é uma espécie agressiva. Ela é totalmente tranquila. Mas é uma espécie que, quando você passa, fica te olhando nos olhos e vai virando a cabeça olhando para você e para onde você está indo. É bem intimidativo", comenta o especialista. O biólogo relata que uma picada da jararaca-ilhoa equivale à picada de quatro jararacas, e a alta taxa de letalidade surgiu devido à necessidade de se alimentar. Segundo ele, em determinando momento, a espécie viveu um isolamento geográfico e precisou se adaptar para subir nas árvores e atacar aves que pousavam lá. Nesse caso, a sua peçonha precisava ser letal para que a presa fosse atacada e morta instantaneamente.