O biólogo Ricardo Samelo explica que o encalhe de golfinhos (aparecimento na faixa de areia, vivos ou mortos) pode ocorrer em qualquer época do ano na Baixada Santista (Divulgação / Instituto Biopesca) Um boto-cinza (Sotalia guianensis) foi encontrado morto na manhã de quinta-feira (15), na praia do bairro Cibratel, em Itanhaém, no litoral de São Paulo. A carcaça do animal estava em avançado estado de decomposição e foi identificada pela equipe do Instituto Biopesca, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O golfinho era um macho com 1,93 metro de comprimento e cerca de 90 quilos. Amostras biológicas foram recolhidas para análises laboratoriais, porém, até o momento, não foi possível determinar a causa da morte do animal. Incidência no litoral de São Paulo Segundo o biólogo Ricardo Samelo, é comum encontrar golfinhos mortos no litoral de São Paulo. Ele explica que as espécies mais comuns na região são golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis), boto-cinza (Sotalia guianensis) e toninha (Pontoporia blainvillei). "Destes, a toninha é o menor, mais delicado, ameaçado e o que mais se aproxima da costa com frequência. No entanto, é um animal mais 'tímido', e mesmo estando mais próximo dos humanos do que os demais, não é visto com frequência, pois raramente salta e não expõe muita área corporal quando está na superfície", explica o biólogo. Em relação à espécie que foi encontrada, Ricardo Samelo afirma que ela evita mar aberto e praias agitadas, vivendo principalmente em baías, estuários e enseadas. Segundo o especialista, o complexo estuarino-lagunar de Cananéia e Iguape concentra boa parte destes golfinhos. -Golfinho achado morto praia (1.533752) Reprodução x encalhe Ricardo Samelo explica que o encalhe (aparecimento na faixa de areia, vivo ou morto) pode ocorrer em qualquer época do ano. No entanto, principalmente no caso das toninhas, pode aumentar na primavera e início do verão, especialmente entre os meses de setembro e dezembro, pois nesta época as fêmeas se aproximam mais das praias (águas rasas) para o nascimento dos filhotes. "O maior fluxo de fêmeas prenhas, filhotes e juvenis perto da arrebentação aumenta a taxa de mortalidade natural e de encalhes, bem como o contato com embarcações e redes de pesca", comenta. Samelo relata que a causa mais comum de morte para os golfinhos citados é a pesca/captura acidental (emaranhamento em redes). Além disso, a colisão com o casco de embarcações e hélices dos motores leva ao falecimento desses animais. O biólogo acrescenta que os golfinhos são mamíferos que respiram por pulmões e precisam subir periodicamente à superfície da água para respirar o oxigênio presente no ar (atmosfera). Quando ficam emaranhados em redes de pesca, eles não conseguem alcançar a superfície e como consequência o animal sofre asfixia e morre por afogamento. Samelo destaca que o aparecimento destes animais mortos em praias se trata de eventos isolados, mas grandes quantidades ou encalhes recorrentes fora de períodos habituais podem indicar problemas ambientais. Contatos para pedir ajuda Ao se deparar com um animal marinho, as pessoas devem acionar os órgãos especializados no resgate e estudos gerais desse tipo de fauna. O Instituto Biopesca monitora o trecho 08, que abrange de Praia Grande até Peruíbe. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas (debilitados ou mortos), os contatos são: Telefone 0800-642-3341 (horário comercial); Celular 13 99601-2570 (24h, WhatsApp e chamadas a cobrar). Já o Instituto Gremar atende os municípios de Santos, São Vicente, Guarujá e Bertioga através de diferentes frentes e projetos de resgate de fauna marinha e silvestre. Alguns dos contatos são: Resgate de animais marinhos e emergências (24h): 0800-642-3341 ou (13) 99711-4120 (WhatsApp); Telefone Geral: (13) 3395-7000; E-mail: contato@gremar.org.br.