Animal pesava cerca de 210 quilos (Reprodução/Instituto Biopesca) Um golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops trucatus) foi encontrado sem vida em uma praia de Mongaguá, no litoral de São Paulo, na última terça-feira (11). O animal era um macho de 3,12 metros e pesava 210 quilos, de acordo com o Instituto Biopesca, que realiza o monitoramento de animais nas praias da Baixada Santista. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O golfinho encalhou na praia do bairro Itaóca e foi removido pela Prefeitura, de acordo com o Instituto. Por conta do estado avançado de decomposição, não foi possível concluir a causa da morte. O Instituto Biopesca ainda informou que o animal pertencia à mesma espécie do golfinho Flipper, de um seriado clássico de televisão. Espécie Para A Tribuna, o biólogo Eric Comin informou que a espécie pode atingir entre 3 metros e 4 metros e pesar mais de 400 quilos. Seu nome popular é devido ao formato de seu focinho, curto e grosso, que lembra o gargalo de uma garrafa. O biólogo ainda informou que o golfinho-nariz-de-garrafa tem uma expectativa de vida longa, podendo ultrapassar os 50 anos de idade. Trata-se de uma espécie que pode ser encontrada nos mares de todo o mundo, em áreas costeiras e em alto mar, com exceção de águas frias, pois gostam de água quente. “É uma espécie globalmente classificada como pouco preocupante pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), devido a uma ampla distribuição deles. As populações que vivem perto da costa são as que sofrem mais riscos com as ações antrópicas. As principais ameaças humanas seriam a poluição dos oceanos, colisão com embarcações, principalmente a destruição dos hábitats, e captura acidental em rede de pesca”, explica o biólogo. Comin ainda ressalta que o maior risco para o golfinho encontrado é ficar preso em redes de pesca, sem conseguir subir para respirar, o que leva a morte por afogamento. Os golfinhos-nariz de garrafa também estão no topo da cadeia trófica e sofrem com bioacumulação de metais pesados, como mercúrio. “Um exemplo é a acumulação de plásticos e poluentes orgânicos, que acabam acumulando-se na gordura do animal, e isso danifica o sistema imunológico. Essa poluição também pode causar infertilidade. Outra questão também seria a poluição sonora, principalmente barulho de grandes embarcações, pesquisas de sísmicas, sonares militares. Tudo isso afeta a ecolocalização desses animais, causando uma desorientação, onde pode também separar mãe e filhote. O tráfego de embarcações também (afeta), a gente tem principalmente (a) temporada de verão, que (é quando) a gente observa o aumento de embarcações de turismo e jet ski. A hélice pode causar ferimentos profundos”, acrescenta Comin.