Estrelas-do-mar com nove braços foram encontradas durante caminhada e chamaram atenção pela beleza e importância ambiental em praia de Mongaguá (Arquivo pessoal/ Cláudia Cristina Rodrigues) Uma cena incomum chamou a atenção de quem caminhava pela faixa de areia da Praia Agenor de Campos, em Mongaguá, no litoral de São Paulo. Duas estrelas-do-mar da espécie Luidia senegalensis, mais conhecidas como estrelas-de-nove-braços, com características pouco comuns, foram encontradas por uma professora que passava férias na cidade da Baixada Santista. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A responsável pelo registro foi a professora de Artes, Cláudia Cristina Rodrigues, de 50 anos, moradora de Jundiaí, no interior de São Paulo, que costuma escolher a Baixada Santista como destino de descanso com a família. Segundo ela, o encontro das estrelas-do-mar aconteceu durante uma caminhada com o marido, na manhã do dia 19, quando o tempo estava nublado e havia pouco movimento na praia. Cláudia conta que tem o hábito de registrar paisagens e momentos da natureza com o celular, mas, desta vez, a surpresa foi maior. “Foi encantador. A gente não esperava encontrar algo assim logo cedo”, relata. As estrelas tinham aproximadamente 20 e 15 centímetros e apresentavam aspecto ainda vivo, com o corpo recoberto por uma espécie de camada gelatinosa. Apesar da curiosidade, a professora optou por não tocar nas estrelas-do-mar. “Eu só fotografei. Fiquei com receio de machucar e também por respeito à natureza. Deixei que o mar as levasse de volta”, explica. Espécie adaptada à areia Diferentemente das estrelas-do-mar mais conhecidas, que vivem em costões rochosos, a espécie encontrada na praia de Mongaguá é associada a fundos arenosos ou lodosos, onde se enterra e se movimenta de forma peculiar, girando sobre o próprio eixo. De hábitos noturnos, essas estrelas-do-mar costumam permanecer imóveis durante o dia e saem à noite em busca de alimento, como pequenos organismos e invertebrados. Outra característica que chama atenção é sua locomoção. Ao contrário de outras estrelas-do-mar, as registradas pela professora não possuem os tradicionais pés ambulacrais, utilizando estruturas adaptadas para se deslocar com mais agilidade pela areia. Alimentação e comportamento Essas estrelas-do-mar vivem em águas rasas, geralmente em profundidades de até 10 metros, sendo comuns em praias de fundo calmo, como as da Baixada Santista. Inofensivas aos seres humanos, não possuem veneno, nem oferecem risco. No entanto, têm um mecanismo de alimentação curioso: por serem achatadas, projetam parte do sistema digestivo para fora do corpo para digerir o alimento externamente (momento em que ficam mais vulneráveis). Assim como outras estrelas-do-mar, também possuem capacidade de regeneração, podendo recompor braços perdidos ao longo do tempo. -Estrela-do-mar (1.507408) Espécie vulnerável De acordo com levantamentos recentes, a espécie de estrela-do-mar encontrada em Mongaguá está classificada como vulnerável (VU) na lista vermelha de animais ameaçados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Apesar de não possuir valor comercial, tem papel fundamental no equilíbrio do ecossistema marinho, participando da cadeia alimentar tanto como predadora quanto como presa. A classificação do Ibama indica a necessidade de maior atenção por parte da comunidade científica, especialmente em relação ao comportamento, reprodução e dinâmica populacional dessas estrelas-do-mar. Preservação é essencial Especialistas reforçam que o ideal é não manipular essas estrelas-do-mar, já que são frágeis e sensíveis. O contato pode fazer com que se sintam ameaçadas, levando, inclusive, à perda de partes do corpo como mecanismo de defesa. Quando encontradas durante a maré baixa, a tendência é que retornem naturalmente ao mar com a subida do nível da água ou se enterrem novamente na areia. Comentário do especialista O biólogo marinho e mergulhador Alex Ribeiro explica que a espécie observada possui alta adaptação ao ambiente arenoso e comportamento distinto das estrelas mais conhecidas. Segundo ele, trata-se de um ser vivo ágil, especialmente durante a noite, quando se desloca com facilidade pelo fundo do mar em busca de alimento. “Em mergulhos noturnos, é possível perceber como ela é rápida em comparação a outras estrelas-do-mar”, destaca. O biólogo marinho também reforça a importância da preservação da espécie. “É um organismo sensível, e o manuseio pode causar estresse ou até a perda de partes do corpo. O ideal é apenas observar”, orienta. Alex Ribeiro acrescenta que, apesar de pouco conhecida pelo público, a espécie tem grande relevância ecológica e merece atenção, especialmente por já constar como vulnerável em listas ambientais.