A cobra acabou morta dentro da residência na Baixada Santista (Arquivo pessoal) Uma cobra apareceu dentro de uma casa e gerou medo no bairro Itaguaí, em Mongaguá, no litoral de São Paulo, em região próxima às ruas Francisco Munhoz Filho e Maria Paula Ferreira Leite. Segundo relato do morador, a serpente teria entrado no imóvel e se enrolado no pescoço da cadela da família. O ataque aconteceu em uma área cercada por mato alto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o morador, a situação gerou medo e correria dentro da residência. “Com muito medo, tiramos (a cobra) e a cachorra a matou. O mato está bem alto aqui no Itaguaí, no lado morro”, afirma. Espécie da cobra A serpente que invadiu a casa foi identificada pelo biólogo Bruno Lourenço como uma cobra-d’água da espécie Erythrolamprus miliaris, considerada totalmente inofensiva para humanos e animais domésticos. Segundo o biólogo, trata-se de uma serpente de comportamento "dócil" e "sem capacidade de atacar e muito menos estrangular um cão". “É pouco provável que (a cobra) tenha se enrolado (por vontade própria) no pescoço da cachorra. Esse não é seu comportamento comum. A cachorra deve ter mordido e, por consequência, a cobra deve ter se contorcido e enrolado nela. Mas, mesmo assim, a cobra-d'água não tem força para enforcar um cão, nem tem esse costume”, explica o especialista. Ainda segundo o biólogo, essa espécie de serpente pode medir entre 60 e 80 centímetros e costuma viver próximo de áreas úmidas. Sua alimentação é baseada principalmente em anfíbios e pequenos peixes, mas ela também pode consumir lagartos e roedores. A presença de cobras em áreas urbanas costuma aumentar em regiões com vegetação alta, terrenos abandonados e proximidade de matas ou córregos. Especialistas orientam que, ao encontrar uma serpente, moradores evitem tentar capturá-la ou matá-la e acionem órgãos ambientais ou equipes especializadas. Posicionamento A Prefeitura de Mongaguá, em nota, informou que "o local está sendo trabalhado nas últimas semanas, e sempre consta no cronograma de atividades das equipes da Unidade Gestora de Serviços Urbanos. No entanto, com o período chuvoso, o serviço precisou ser paralisado, pois com o solo enxarcado os maquinários, se trabalharem, formam lamaçais, com efeitos indesejáveis à comunidade como um todo". Em relação à cobra, a Administração Municipal disse que, "provavelmente por conta da limpeza e movimentação dos materiais e vegetações, animais acabaram por aparecer. Ressaltamos, contudo, se tratar de uma área próxima a glebas expansivas de vegetação, que antes eram vinculadas à Serra do Mar. Portanto, habitat de muitos deles. Não desejamos que os animais apareçam, mas, diante dessas circunstâncias, em qualquer cidade isso acontece. A Secretaria de Meio Ambiente está à disposição para orientar nestes casos". A Prefeitura acrescentou que "o trabalho no local está agendado para ser retomado na próxima semana, quando há previsão de condições climáticas mais favoráveis. Precisamos informar que nesta manhã uma equipe esteve no lugar, por volta das 9h, e flagrou um morador jogando resíduos nesta área. Ao observar a viatura chegando, ele correu para sua residência". "Neste e em outros lugares, a Prefeitura tem intensificado a fiscalização para justamente evitar esse tipo de atitude, que também atrai bichos e denigre a imagem das comunidades. E lamenta que às vezes, como neste caso, moradores do próprio local são causadores do problema", conclui.