Diversos peixes foram encontrados mortos, espalhados pela faixa de areia (Arquivo Pessoal) Diversos peixes foram encontrados mortos, espalhados pela faixa de areia, na praia de Mongaguá, litoral de São Paulo, no trecho que vai de Vera Cruz a Santa Eugênia. Um morador da Capital, que costuma visitar a Baixada Santista com frequência, registrou as imagens na manhã deste domingo (18). Ele afirmou ter observado mais de 100 peixes mortos e que o mesmo aconteceu há cerca de duas semanas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O homem, que preferiu não se identificar, relatou que, enquanto caminhava pela praia, se deparou com a mesma cena vista no dia 1º de maio. Proprietário de um imóvel na cidade, afirmou frequentar Mongaguá com regularidade desde 2023 e disse que nunca havia visto tantos peixes mortos na faixa de areia do município. “Não sei se tem algo a ver com poluição da água, descarte de barcos de pesca, mas a quantidade de peixes mortos foge da normalidade. Só no trecho que observei tinham seguramente mais de 100 peixes. Eles não estavam aglomerados, mas espalhados por um longo trecho”, destacou. Ele ainda disse que viu uma senhora com uma pequena pá enterrando os peixes na areia. Em alguns trechos, havia mais peixes, em outros menos. A situação se estendeu por quase dois quilômetros, segundo o homem. “Não sei se tem algo a ver ou se é uma simples coincidência, mas a aglomeração era maior próximo a canais de água. Quanto mais distante desses canais, menos peixes havia”. O que pode ter acontecido? O biólogo Ricardo Samelo acredita que isso tenha ocorrido pelo uso de redes de pesca. Nesse método, a rede é lançada no mar e depois puxada em direção à areia. Os peixes muito pequenos acabam escapando pelos vãos das redes. “E como são redes grandes, quando puxadas, os peixes devem ter se soltado, passando pelos vãos. Então, esses peixes provavelmente passaram pela rede, ficaram na areia e acabaram morrendo”, explicou. Ainda segundo Samelo, durante a separação do que foi capturado na rede, os pescadores muitas vezes selecionam apenas as espécies de interesse e descartam as demais diretamente no mar ou na areia, o que acaba provocando a morte desses peixes. “O correto seria devolver para o mar e não simplesmente deixar jogado na areia. Ao ser devolvido para o mar, o peixe seguiria o caminho dele, continuaria vivo e ia cumprir a sua função no meio ambiente. Deixar na areia que não pode, isso é maldade”. Outra possibilidade, de acordo com Samelo, é que, em determinadas condições, o mar tenha avançado um pouco e, ao recuar, deixado os peixes presos na areia, o que explicaria o encalhe de centenas deles. No entanto, se o número de peixes for na casa dos milhares, já se pode considerar a hipótese de contaminação ou intoxicação generalizada por alguma substância presente na água. O biólogo marinho Eric Comin explicou que os animais podem ter sido capturados, por métodos como arrasto ou redes de pesca, e posteriormente descartados. A maioria dessas espécies fica na superfície do mar. Ele acrescentou que estamos sob influência de uma Lua Cheia, mais precisamente da chamada Lua de Sizígia, período em que a amplitude das marés é maior. Isso significa que o mar sobe muito e também recua bastante. “Ou seja, nessa situação em que o mar subiu muito, ele depositou esses peixes na praia, ao longo da praia, em diferentes lugares, e aí quando a maré abaixa, esses peixes acabam ficando depositados separadamente na beira da praia”, concluiu. Posicionamento A Prefeitura de Mongaguá informou que a Secretaria do Meio Ambiente foi notificada sobre o ocorrido nesta segunda-feira (19) e que uma equipe técnica será enviada ao local. Também acrescentou que os animais mortos são recolhidos pelo Instituto de Biopesca.