Hoje, mesmo sem visitação autorizada, o Castelo do Alemão continua sendo um dos pontos mais comentados de Peruíbe (Reprodução/ Histórias Reais de Fantasmas e Assombrações) Entre a mata e o mar da Prainha, em Peruíbe, no litoral de São Paulo, uma construção de aparência medieval continua despertando a curiosidade de moradores e turistas. Conhecido como Castelo do Alemão ou simplesmente Castelinho, o imóvel abandonado é cercado por lendas que misturam supostos fugitivos da Segunda Guerra Mundial, fenômenos paranormais e histórias de cárcere privado na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com torres, muros de pedra, grandes portões de madeira e símbolos espalhados pela estrutura, o Castelo do Alemão chama atenção de quem passa pela Estrada do Guaraú. Apesar da aparência digna de um cenário de filme, o castelo nunca foi aberto para visitação e permanece fechado há anos. A origem das lendas Durante muito tempo, moradores acreditaram que o Castelinho havia sido construído por um alemão que fugiu da Europa após a Segunda Guerra Mundial. A versão ganhou força por conta de objetos ligados ao nazismo encontrados na residência de seu proprietário, em São Paulo, no fim da década de 1980. No entanto, pesquisas históricas apontam que o dono do castelo era Hardy Lopes Giusti, engenheiro brasileiro. Segundo o historiador Eduardo Ribas, secretário de Meio Ambiente de Peruíbe, o apelido “Castelo do Alemão” surgiu justamente após a divulgação de notícias sobre a apreensão de objetos relacionados ao regime nazista em uma propriedade de Giusti na capital paulista. Ainda de acordo com relatos históricos, Guisti era conhecido na cidade por seu comportamento reservado e excêntrico, o que ajudou a alimentar o imaginário popular em torno do castelo. Fantasmas, bruxos e aparições Com o passar dos anos e o abandono do imóvel, novas teorias surgiram. Entre as mais populares está a de que um misterioso bruxo aparece em uma das janelas voltadas para o mar durante a noite. Há também relatos de moradores que afirmam ter visto fantasmas, espíritos e manifestações. Outras versões falam até mesmo sobre aparições de objetos voadores não identificados e seres extraterrestres próximo à construção. Embora não existam registros oficiais que comprovem essas histórias, elas continuam sendo transmitidas entre moradores e visitantes. Arquitetura que chama atenção Além das lendas, a arquitetura do Castelinho é um dos principais atrativos do local. Inspirado em construções medievais europeias, o castelo reúne elementos como estátuas, lanças decorativas e referência aos cavaleiros da época. Alguns visitantes relatam ainda a presença de estruturas e armadilhas e até um pequeno calabouço. Um dos símbolos que mais chama a atenção é a cruz dupla vermelha presente em muitas partes do castelo. A cruz lituana, também conhecida como “cruz de Vyties”, é um dos símbolos oficiais do país e está presente no brasão de armas da Lituânia. Sua origem data do século 14, quando o Rei Jogalia da Polônia usava a cruz dupla como uma insígnia pessoal destinada ao seu governo, exército e poder. O símbolo continuou a ser utilizado nos anos seguintes como uma demonstração de que Jogalia havia se convertido ao cristianismo. Um dos símbolos que mais chama a atenção é a cruz dupla vermelha presente em muitas partes do castelo de Peruíbe (Reprodução/ Google e Histórias Reais de Fantasmas e Assombrações) Abandono reforça ainda mais o mistério Após a morte de Hardy Lopes Giusti, no início da década de 1990, o castelo de Peruíbe passou por processos de herança e acabou sendo abandonado. Com o tempo, a vegetação avançou sobre a propriedade e o acesso passou a ser restrito, o que contribuiu para aumentar ainda mais sua aura de mistério. Hoje, mesmo sem visitação autorizada, o Castelo do Alemão continua sendo um dos pontos mais comentados de Peruíbe. Entre fatos históricos e lendas urbanas, a construção permanece como um dos símbolos mais enigmáticos do litoral de São Paulo.