A pequena Emanuella enfrentou uma transferência polêmica entre hospitais (Reprodução) A bebê prematura e cardiopata Emanuella Veloso, de apenas 30 semanas, passou por uma viagem arriscada na última quinta-feira (11). Ela saiu do Hospital de Bertioga para o Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, onde passou por uma consulta, mesmo em estado de internação. O nível de saturação de oxigênio da criança chegou a 59. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Emanuella nasceu em 12 de março e ficou internada por 3 meses no Hospital Guilherme Álvaro. No processo, acabou contraindo várias infecções e passou por uma cirurgia cardíaca e uma no intestino. Após isso, recebeu alta em 24 de junho e foi encaminhada para o Hospital de Bertioga. Entretanto, no começo de julho, a recém nascida começou a tossir constantemente. No Hospital de Bertioga, o médico pediu um hemograma, raio-x e tomografia. Diante disso, notaram que o pulmão dela estava péssimo, e uma bronquiolite assintomática evoluiu para uma pneumonia. A mãe, Viviane da Silva Nogueira, de 21 anos, comentou a situação da unidade de Saúde do município. "Eles não têm UTI, então deixaram ela na sala de inalação infantil, uma sala de observação. Todas as crianças que precisam tomar remédio ou colher exames passam por ali. Todo mundo entra e saí e é um risco enorme de contrair alguma infecção, bactéria ou vírus. Não tem proteção nenhuma", afirma. Ainda na unidade de saúde de Bertioga, Viviane foi informada que a bebê foi inserida na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross). "Ia demorar muito. Perguntei se não podia mandar (a paciente) como vaga zero pela situação dela, mas o médico disse que teria que aguardar. Na última quinta-feira (11), a mãe foi informada pelo Hospital de Bertioga sobre uma consulta com médicos da Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (Cipe), no Hospital Guilherme Álvaro. "Entramos na ambulância e a bebê registrou 59 de saturação. Chegamos e não tinha oxigênio para voltar. Falaram para o condutor que era uma vaga Cross, mas não era, era apenas consulta", afirma a mãe. Ainda de acordo com Viviane, após uma longa discussão, foi explicado que não é a primeira vez que isso acontece, e que a ficha do Cross da paciente não apareceu no sistema. "Disseram que eles sempre mandam pacientes instáveis para cá com alguma desculpa e sem ter como retornar, porque sabem que o Guilherme Álvaro não negaria socorro". "Agora ela está estável. As médicas tiveram que tirar uma criança da UTI para colocar ela porque o estado era muito grave, e foi agravado pela viagem que fez. O jeito que mandaram pra cá foi errado, foi constrangedor passar por essa situação", conclui. A família de Emanuelly registrou um boletim de ocorrência eletrônico não criminal na tarde da última sexta-feira (12). A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo está coletando maiores informações para prosseguir nas investigações. Respostas Em nota, o Hospital Guilherme Álvaro, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, disse que a paciente foi inserida no sistema da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) no dia 11 de julho (quinta-feira), pela unidade de origem do município. "No mesmo dia, a paciente em questão foi prontamente recebida pela equipe assistencial da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, onde permaneceu sob cuidados médicos até ontem (15), quando passou por reavaliação clínica e a alta foi concedida em razão da melhora do quadro", diz a nota. A reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Bertioga, mas não obteve resposta até a data de publicação desta matéria.