Avanço do mar destrói restinga em praia do litoral de SP (Márcio Ribeiro) As mudanças no nível do mar vêm transformando a restinga da vila de Barra do Una, que fica localizada em Peruíbe, no Litoral de São Paulo. Por conta destas mudanças, moradores que residem na beira da praia estão começando a ficar preocupados com o avanço do mar, prejudicando a comunidade. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A cozinheira Débora Pereira do Prado, de 39 anos, relata para A Tribuna que percebe o problema na região desde a última década, mas que a situação vem se agravando nos últimos três anos. “Tem sido muito rápido (o avanço do mar). Na parte próxima ao rio, tem alguns trechos que nem possuem mais restinga”, afirma a moradora. Ela explica que se sente insegurança e com medo por conta desta situação. A preocupação maior é de que a comunidade de Barra do Una suma do local por conta do avanço do mar. “Meu pai conta histórias de quando ele era mais novo, e diz que a água do mar chegava nas casas e destruía até às roças de seus pais”, relembra. A cozinheira também conta sobre um outro episódio ocorrido na comunidade e que trouxe insegurança. “Há uns sete anos, uma maré muito grande fez com que entrasse água em duas casas próximas ao rio”, cita. -Avanço mar Litoral SP (1.427842) Pescadores afetados Outro problema, segundo Débora, é em relação às atividades de pesca da região. Ela conta que o pai já não consegue mais acessar lugares onde antes normalmente pescava. “Meu pai é pescador e tem alguns lugares do rio que já não dá mais para pescar, partes que eram fundas e hoje já não dá nem para passar mais com o barco. O canal do rio também ficou muito ruim para que algumas espécies de peixe entrassem, ficou estreito e mudou o curso dele”. O pescador Osmanir do Prado, de 64 anos, relata que a situação está bem crítica e que o mar já não era mais como antes. " Está muito ruim, prejudica muito o nosso ponto de pescar e o mar que era muito fundo, hoje se encontra bem raso", relata. O pescador conta ainda que, para realizar o trabalho nos dias atuais, ele precisa ir mais para o fundo do rio, onde os peixes estão aparecendo. "Este caso eu vejo acontecer já fazem uns 12 anos", comenta. Interferência Humana De acordo com o biólogo Eric Comin, o problema pode ocorrer por conta de causas naturais ou também por intervenções humanas negativas. “O curso do rio muda e ele pode modificar o estado natural por conta da retirada da restinga (vegetação) do local, e causar esta situação”, explica. Ele diz que isso pode ser chamado de hidrodinâmica sedimentar, e que a força da água invade o local por conta da falta da vegetação ciliar. “São vários exemplos de ações humanas, como construções próximas a borda de praia, falta da restinga, desmatamento e diversas causas que provocam esse problema”. Animais são afetados? Ainda de acordo com o biólogo, o problema não afeta os peixes, que sempre estão percorrendo pelo curso do rio para se reproduzirem e continuam a entrar no estuário. Mudança no curso do rio Eric alerta que, por conta da força das águas, deve ter mais avanços na região com o passar dos anos. “Essa hidrodinâmica é causada por conta do curso do rio. O rio vai movimentando as bordas e vai mudando toda a barra e estado natural do ambiente. A parte de areia acaba se modificando e sabemos que a água vai passar”. Posicionamentos Em nota, a Prefeitura de Peruíbe disse que o local é administrado pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Fundação Florestal. Já a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) se manifestou por meio de nota, informando que, por meio do Instituto de Pesquisas Ambientais, monitora o processo erosivo, que decorre por um fenômeno natural, na região de Barra do Una, junto à comunidade e à Fundação Florestal, por se tratar de uma Unidade de Conservação.