Em alguns trechos do Rio Tabatinga, os índices de contaminação ultrapassaram 50 vezes o limite aceitável e acendem alerta no litoral de São Paulo (Divulgação/ Prefeitura de Caraguatatuba) O Projeto Rio Vivo Tabatinga segue avançando com ações de fiscalização, monitoramento da qualidade da água e mobilização da comunidade para combater a contaminação do Rio Tabatinga, na divisa entre Caraguatatuba e Ubatuba, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora o lançamento oficial do projeto tenha ocorrido em março deste ano, as primeiras iniciativas começaram no último trimestre de 2025, com a elaboração conjunta da iniciativa envolvendo autoridades municipais e estaduais, além de representantes da sociedade civil. Desde janeiro, já foram realizadas 20 coletas de água em diferentes pontos do rio pelo laboratório Ambiotec. Também foram instaladas placas informativas nas duas margens do Rio Tabatinga e distribuídos materiais educativos para moradores e visitantes. Segundo Eduardo Leduc e Paulo André, representantes da sociedade civil no projeto, a recuperação do rio depende de uma atuação integrada entre poder público e comunidade. "Sem água limpa não há saúde, qualidade de vida e desenvolvimento", reforçam os idealizadores da iniciativa. Fiscalizações identificam irregularidades A Prefeitura de Caraguatatuba informou que, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Secretaria de Urbanismo, Vigilância Sanitária, Polícia Militar Ambiental, Sabesp e equipes da Prefeitura de Ubatuba, já realizou duas operações de fiscalização ao longo do Rio Tabatinga. As ações identificaram despejos irregulares de esgoto e imóveis sem ligação à rede coletora da Sabesp. Os responsáveis foram notificados e as intervenções consideradas ilegais acabaram autuadas e embargadas. De acordo com a Administração Municipal, a maior parte das irregularidades está concentrada na margem pertencente a Ubatuba. Já os casos registrados no lado de Caraguatatuba estão em processo de regularização e podem resultar em multas e outras sanções administrativas caso as determinações não sejam cumpridas. Além das vistorias municipais, a Polícia Ambiental intensificou a fiscalização da mata ciliar, área protegida por lei. Em uma das ações, um caminhão foi flagrado descartando esgoto próximo ao rio. A Sabesp também vem atuando no atendimento de vazamentos causados por entupimentos e realizando testes para identificar imóveis que ainda não estão conectados ao sistema de saneamento. Qualidade da água segue sendo monitorada Os primeiros levantamentos realizados pelo laboratório Ambiotec apontaram um cenário preocupante. Quatro análises feitas entre janeiro e fevereiro mostraram níveis médios de contaminação dez vezes superiores aos considerados adequados para balneabilidade. Em alguns trechos, os índices ultrapassaram 50 vezes o limite aceitável. A presença elevada de coliformes, Escherichia coli e enterococos (bactérias do intestino humano), indica forte contaminação por resíduos fecais. Segundo os responsáveis pelo projeto, os resultados já permitiram identificar os pontos mais críticos, orientando novas ações de fiscalização e regularização. Uma segunda etapa das análises está prevista para os próximos meses para acompanhar a evolução da qualidade da água. Além disso, órgãos públicos utilizam imagens aéreas e sistemas de inteligência para monitorar a supressão irregular da vegetação e emitir alertas automáticos às autoridades competentes. Educação ambiental e participação da comunidade Outra frente de atuação envolve a conscientização da população. Vídeos educativos estão sendo produzidos para serem apresentados nas escolas da região, mostrando os problemas enfrentados pelo rio e os avanços obtidos desde o início do projeto. Os organizadores destacam que a educação ambiental precisa caminhar junto com as ações fiscalizatórias para acelerar a regularização das irregularidades identificadas. Apesar de o bairro Tabatinga possuir rede de saneamento em praticamente toda sua extensão, parte da contaminação ainda é causada por imóveis não conectados ao sistema. Para os representantes do projeto, o engajamento da comunidade e o comprometimento das autoridades são fundamentais para reverter o cenário. "O problema não será resolvido de um dia para o outro, mas as ações já evitaram o avanço da degradação e representam um passo importante para que o rio volte a atingir os padrões de qualidade exigidos pelos órgãos de saúde e meio ambiente", afirmam. O Ministério Público (MP) acompanha as iniciativas, enquanto entidades como o Condomínio Costa Verde Tabatinga e o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte apoiam as medidas de recuperação ambiental. A expectativa é que a continuidade das fiscalizações, das análises da água e das campanhas educativas contribua para a despoluição do Rio Tabatinga e para a preservação da balneabilidade da região, beneficiando moradores, turistas e a biodiversidade local.