A mancha da maré vermelha foi avistada no litoral de São Paulo (Reprodução / Rafael Mesquita) Uma mancha avermelhada apareceu no litoral de São Paulo, nas proximidades de Ilhabela, e se espalhou pelo mar nas praias do Curral e do Veloso. O fenômeno, conhecido como 'maré vermelha', é identificado pela coloração incomum na superfície da água e ocorre devido à alta concentração de microrganismos - no caso atual, não apresentou riscos e já se dissipou. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mancha que atingiu as águas do litoral de São Paulo foi registrada pelo fotógrafo Rafael Mesquita na primeira semana de abril. Na imagem acima, é possível observar trechos do mar com coloração avermelhada próximo à faixa de areia. O que é a maré vermelha? O fenômeno da maré vermelha costuma ser provocado por microrganismos dinoflagelados. A mancha vermelha pode trazer problemas para demais seres marinhos e para pessoas que tenham contato com a água ou alimentos contaminados pelas toxinas produzidas por esses microrganismos durante processos metabólicos, segundo o biólogo Ricardo Samelo. “Estas substâncias podem intoxicar o organismo humano. Em alguns casos, a pessoa apresenta sintomas como náuseas, dor de cabeça, irritações na pele e mucosas, diarreias e outros transtornos gastrointestinais”. De acordo com o biólogo, quando o fenômeno está associado ao dinoflagelado Mesodinium rubrum, não há riscos diretos à saúde, já que se trata de um organismo inofensivo e que não produz toxinas. No entanto, ele pode causar impactos ambientais e servir de alimento para dinoflagelados do gênero Dinophysis, que, por sua vez, podem gerar substâncias nocivas à saúde humana. O fenômeno da maré vermelha não é uma novidade. Ele já havia ocorrido anteriormente no litoral de São Paulo, nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, também em Ilhabela. Cetesb A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), informou que realizou análise laboratorial de amostras da água do mar em uma mancha de coloração avermelhada no Canal de São Sebastião e os resultados indicaram a presença do microrganismo Mesodinium rubrum (ciliado), que não é considerado tóxico. A informação foi confirmada, em comunicado, pela Cetesb em 3 de abril. “Em altas densidades, esse organismo pode provocar alterações visíveis na coloração da água, como a registrada no Litoral Norte de São Paulo. Embora não represente risco significativo à saúde humana, recomenda-se, de forma preventiva, que a população evite nadar ou praticar esportes náuticos em áreas com coloração incomum, especialmente pessoas mais sensíveis, que podem apresentar irritações na pele ou coceira após o contato com a água”, complementou a Cetesb, por meio de nota. A companhia esclareceu que o monitoramento da ocorrência de florações de algas tóxicas é realizado constantemente por grupo intersecretarial composto pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), Secretaria da Saúde (SES) e Semil. Entre os dias 7 e 8 de abril, a Defesa Agropecuária coletou material para novas análises. A 'maré vermelha', de acordo com a Cetesb, já se dissipou no litoral de São Paulo.