(Vanessa Rodrigues/AT) A cada ano que passa, os dias quentes prevalecem e eventos climáticos mais extremos se tornam mais frequentes na Baixada Santista. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Geológico, órgão extinto pelo Governo paulista em 2020, e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indica que chuvas fortes e mais dias de calor intenso serão comuns até 2050. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo projeta um aumento de até 6ºC na temperatura máxima anual em parte do Estado de São Paulo até 2050. No Litoral paulista, o aquecimento será menor e pode variar entre 0,5 a 1,5ºC. Sendo assim, foi concluído que haverá um aquecimento da atmosfera, que tende a ser menos intenso na fachada litorânea, devido ao controle exercido pelo oceano, e maior no trecho noroeste do estado. Entretanto, o estado de SP praticamente por inteiro demonstra que passará por uma redução de ondas de frio entre 1 e 3 dias, com pequenos trechos isolados onde essa redução é de até um dia. Enquanto as ondas de calor ficam ainda mais intensas, podendo passar de 150 dias no norte, em um cenário mais pessimista, e 25 dias no sul. Temporal Além disso, a pesquisa indicou uma maior chance de eventos extremos, alternando entre clima seco e chuva forte, podendo causar escorregamentos de encostas, inundações e erosões. Ao longo do estudo, este cenário aparece, principalmente, no litoral sul- incluindo a Baixada Santista- e norte. Essa previsão de aumento de eventos climáticos extremos indica o risco de desastres naturais. Enquanto isso, outros pontos do estado apresentam uma possível redução na chuva, trazendo a seca. Impactos “Temos um cenário de eventos climáticos extremos que trazem situações de muito risco e colocam a população em uma situação vulnerável. Então você tem situação de risco para a própria economia. No litoral de São Paulo (a pesquisa) prevê uma grande concentração de chuvas em períodos curtos”, comenta Helena Dutra Lutgens, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). O estudo foi publicado em outubro de 2022 e Helena ressaltou que os impactos dessa previsão já são sentidos, principalmente no interior paulista, com as recentes queimadas e as secas. Na Baixada Santista, a presidente alertou que a preocupação deve ser as encostas dos morros e os alagamentos. Pesquisa O documento levou cerca de quatro anos para ficar pronto e foi divulgado pela APqC. Nele, os cientistas consideraram dois cenários, com projeções elaboradas a partir de quatro modelos climáticos e nove variáveis de temperatura do ar e chuva para calcular o desvio. A projeção foi feita para o período entre 2020 e 2050. A publicação se baseia em um comparativo com dados coletados entre 1961 a 1990, levando em consideração os maiores e os menores valores dos desvios.