[[legacy_image_95254]] A pouco mais de quatro meses para o final do ano, o Litoral Paulista registrou, em 2021, o recorde de encalhes de baleias jubartes. Os 37 casos identificados no Estado até agosto superam os 26 contabilizados ao longo de 2016, conforme o Instituto Baleia Jubarte. Esse fenômeno também ocorreu de forma intensa no Brasil. Neste ano, foram identificados 133 animais no País, contra 122, em 2017. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Desde junho, cinco espécies desse tipo foram encontradas encalhadas nas praias da Baixada Santista (duas em Santos, duas em Guarujá e uma em Bertioga), segundo o Instituto Gremar. A última delas semana retrasada, na Praia do Gonzaga, em Santos. O médico veterinário e coordenador de pesquisas do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, explicou que, além desse pico de mortalidade, foi observada neste ano uma distribuição dos encalhes fora do padrão. “Normalmente, eles ocorrem na Bahia e no Espiríto Santo, onde temos o Banco dos Abrolhos, e o pico (de encalhes) acontece em agosto, mas, em 2021, eles começaram muito cedo, a partir de abril, concentrados principalmente em Santa Catarina e em São Paulo”, disse. O especialista destacou que uma das razões para esse fenômeno é o aumento de números de baleias jubarte no País: eram 3.500, em 2002, e hoje são mais 20 mil. Por esse motivo, Milton entende que é comum ter animais que morrem por causas naturais, como doenças, ação de predadores e filhotes que se separam da mãe, e ações antrópicas, ou seja, por problemas causadas pelo ser humano. “A maioria desses encalhes é de animais juvenis, que estão no primeiro ano de vida e que estão entre quatro e cinco anos, que possuem de 7 a 10,5 metros de comprimento”, citou. CausasUma hipótese para esse fenômeno apontada por Marcondes e pelo coordenador do curso de Ciências Biológicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Jorge Luis dos Santos, é a diminuição de krill (tipo de crustáceo muito parecido com o camarão, que é a principal fonte de alimento das baleias jubartes) neste ano. “Por conta de toda a modificação ambiental dos últimos anos, existe a possibilidade que a abundância desse crustáceo ter diminuído a ponto de elas não estarem com as reservas energéticas suficientes para cumprir toda essa jornada que acontece anualmente”, explicou o docente. Esses animais habitam, principalmente, o lado oeste do Oceano Atlântico Sul, alimentando-se na região antártica ao longo do verão. Já durante o inverno e a primavera, eles se reproduzem pela costa Nordeste e Sudeste do Brasil. Conforme o biólogo marinho Eric Cormin, a maior mortalidade pode estar relacionada ao aumento do número de animais na costa do nosso País e a Baixada Santista está nessa rota migratória. “Algumas ações antrópicas afetam os animais, como as redes de pesca, pois eles ficam presos, e a grande quantidade de lixo no mar”. Por conta da diminuição de krill, os especialistas apontaram que as baleias jubartes mais novas estão ficando mais para as faixas litorâneas de São Paulo e de Santa Catarina e chegando às águas rasas em busca de alimentos.