Imóveis em Santos: maior concentração de vendas em janeiro deste ano ocorreu em moradias acima de R\$ 500 mil, que representaram 32,5% (Alexsander Ferraz/AT) O mercado imobiliário da Baixada Santista iniciou 2026 em ritmo mais lento. Levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) aponta queda de 26,25% nas vendas de imóveis residenciais usados e retração de 54,74% nos novos contratos de locação em janeiro na comparação com dezembro de 2025. O movimento é considerado normal para esta época do ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa ouviu 129 imobiliárias das cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. Segundo o presidente do conselho, José Augusto Viana Neto, a retração é típica do início do ano e não representa preocupação para o setor. “É um período de entressafra no Brasil todo. E na Baixada ainda tem o agravante das férias, quando as cidades ficam muito movimentada, o que dificulta as transações imobiliárias”, afirmou. Ele lembra que o comportamento é semelhante ao registrado no ano passado. Em janeiro de 2025, por exemplo, a queda nas vendas em relação a dezembro foi de 28%, número próximo ao observado neste ano. No mercado de vendas, os apartamentos dominaram amplamente as negociações, representando 81% dos imóveis comercializados, contra 19% de casas. O perfil predominante foi o de unidades com dois dormitórios e área entre 50 e 100 metros quadrados, voltadas principalmente à classe média e média baixa. A pesquisa também mostra que 67,9% das vendas ocorreram em regiões periféricas, enquanto áreas centrais e nobres concentraram fatia menor dos negócios. Para Viana, o resultado reflete o perfil do mercado local. “As oportunidades em áreas nobres envolvem um público muito menor. A maior parte da demanda está nos imóveis mais acessíveis”, explicou. Os dados também indicam um tíquete médio elevado nas negociações. A maior concentração de vendas ocorreu em imóveis acima de R\$ 500 mil, que representaram 32,5% das transações realizadas no período analisado. O crédito imobiliário continua sendo o principal motor do setor. Mais da metade das transações foi realizada por financiamento, com destaque para a Caixa Econômica Federal, responsável por 38,9% das operações. Compras à vista representaram 16,7% dos negócios, enquanto negociações diretas com proprietários somaram 27,8%. A pesquisa também aponta relativa estabilidade nos preços. Em 57,5% das vendas, os imóveis foram negociados exatamente pelo valor anunciado. Quando houve desconto, na maior parte dos casos ele ficou limitado a até 5%, indicando maior aproximação entre os valores pedidos pelos proprietários e o preço efetivamente aceito pelo mercado. Locações No segmento de locações, os apartamentos também lideraram, com 71% dos contratos. A maior parte dos imóveis alugados tem até um dormitório e área inferior a 50 metros quadrados, perfil que indica forte procura de solteiros, casais e trabalhadores temporários, característica comum em regiões litorâneas. Os valores de aluguel mais comuns ficaram entre R\$ 1.250 e R\$ 2.000, faixa considerada representativa da realidade do mercado paulista. A maior parte dos contratos (75%) foi fechada pelo valor anunciado, sinalizando equilíbrio entre oferta e demanda. Para Viana, a dinâmica das locações também está ligada ao reajuste dos contratos. Segundo ele, após o período contratual de 30 meses, os proprietários ficam livres para pedir novos valores de aluguel, o que muitas vezes leva inquilinos a buscar imóveis mais baratos. “A renda da pessoa nem sempre acompanha esse aumento, então ela acaba entregando o imóvel e procurando outra opção que caiba no orçamento”, afirmou. Otimismo marca projeção para o restante de 2026 Para os próximos meses, o setor mantém expectativa positiva, impulsionada principalmente pela ampliação das faixas do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Segundo Viana, cidades como Praia Grande devem continuar se destacando no crescimento do mercado imobiliário da região, devido ao preço mais baixo dos terrenos e à maior disponibilidade de áreas para construção. De acordo com ele, o Município vive um processo acelerado de expansão urbana, com a chegada de incorporadoras de diferentes regiões do país e novos empreendimentos imobiliários. “Praia Grande está tendo um crescimento muito forte já há alguns anos, com muitos investidores e incorporadores chegando à cidade”. Perfil de vendas Apartamentos: 81% Casas: 19% Imóveis mais vendidos: 2 dormitórios Área mais comum: 51 m² a 100 m² Localização das vendas Regiões periféricas: 67,9% Região central: 18,9% Áreas nobres: 13,2% Forma de pagamento Financiamento pela Caixa: 38,9% Financiamento outros bancos: 14,8% Direto com proprietário: 27,8% À vista: 16,7% Mercado de aluguel Apartamentos: 71% Casas: 29% Região central concentra 59% das locações Mudança de inquilinos Mudaram para aluguel mais barato: 36% Mudaram para mais caro: 28% Fonte: Creci-SP