Na Câmara de Santos, a oposição chama atenção este ano por reunir legendas que vão do PL até PT e PSOL (Vanessa Rodrigues/AT) No xadrez da política, desenhar as melhores jogadas no Legislativo passam pela intermediação das lideranças, sejam elas governistas ou da oposição. No primeiro caso, por exemplo, são elas que levam a voz do chefe do Executivo ao plenário, buscando aprovações (ou vetos) de projetos apresentados a cada sessão. Em duas cidades da Baixada Santista, essa distribuição tem características próprias: em Santos, o embate é entre o lado governista e uma oposição de espectro tão variado que reúne de PL a PT e PSOL. Em São Vicente, a figura formal do líder do Governo ainda não existe — não há oposicionistas. Mas, nos dois casos, o debate de ideias busca ser prioridade a cada encontro dos vereadores. No Legislativo santista, a liderança do governo cabe a Carlos Teixeira Filho, o Cacá Teixeira (PSDB), ex-presidente da Casa. Segundo ele, seu papel é garantir a aproximação entre Executivo e Legislativo. “É importante levar ao Legislativo as propostas, e as mensagens que o Executivo encaminha, por conta da necessidade de tratar alguns temas e mesmo a importância para o Município de ter determinada lei aprovada”. Para Teixeira, o relacionamento do prefeito Rogério Santos (Republicanos) com a Câmara é positivo, o que ajuda na aprovação de pautas “de interesse da municipalidade”. “Vamos buscar, cada vez mais, a oposição para votar conosco, quando houver um tema de interesse, mas respeitando as diferenças de ideologia. É esse o intuito dessa ponte com o Executivo”, acrescenta Cacá. “Eu acredito que, hoje, a formação da Câmara é boa, de pessoas novas, que são inteligentes e têm discernimento de saber o que é melhor para o Município”. Do lado oposicionista, a liderança está a cargo do vereador Rui De Rosis Junior (PL). Ele ressalta que a Câmara “tem a maior oposição dos últimos anos, formada por sete vereadores, entre eles quatro da direita, do PL, e três da esquerda, divididos entre PT e PSOL”. “Isso mostra que a Cidade tomou um caminho que se distanciou das necessidades e dos anseios dos santistas. Ter uma oposição que cresceu mostra que Santos passa por um caminho ruim. E ter essa voz questionadora na Câmara, ter uma oposição ativa, é importantíssimo para a Cidade”, argumenta. Segundo ele, mesmo com vozes ideológicas distintas no mesmo bloco, a oposição promete bastante atenção. “Não é uma oposição contra a Cidade, contra o povo santista, e sim uma oposição que discorda das medidas de governo que vêm sendo tomadas nos últimos anos. É uma oposição inteligente, propositiva, que pretende fazer o dinheiro do santista voltar em serviços e políticas públicas de qualidade”. De acordo com De Rosis, a sua corrente defende a eficiência da máquina pública e o desenvolvimento da Cidade, “sem que isso pese no bolso do cidadão”. “Tudo isso nos distancia ideologicamente da esquerda. Mas, ainda que a gente divirja nas pautas ideológicas, fiscalizatórias e de controle do gasto público, a oposição pode estar unida para fiscalizar o que está sendo feito com o recurso do santista”. Kayo Amado está no segundo mandato (Alexsander Ferraz/AT) “Calibrar ritmo” Na vizinha São Vicente, os 15 vereadores que compõem a Câmara estão alinhados ao prefeito Kayo Amado (Pode). O nome do líder governista, diz ele, deve ser definido em algumas semanas, o que não impede a articulação com o Legislativo. Até ano passado, a função coube ao vereador Jailton Jatobá (Pode). “Por mais que a Câmara seja governista, é um órgão independente. Precisamos entender que há nela 15 cabeças pensando. E, aí, a liderança de Governo acaba trazendo para a gente a sensibilidade do que está acontecendo ali dentro. Ajuda a calibrar o nosso ritmo, dando o momento certo de apresentar uma pauta ou não”, explica. Amado acrescenta que há vários nomes aptos a assumir o papel de líder governista. “A gente falou que não ia montar o governo no final do ano passado, por ser um governo que, naturalmente, estava continuando, mas que não queria trabalhar como uma continuidade. E usaríamos os primeiros meses do ano para fazer a montagem, as trocas e composições novas nas secretarias. A gente ainda está nessa reta final de organização de governo”. O prefeito acredita que a relação entre Executivo e Legislativo é um “jogo de diálogo permanente”. “São 15 cabeças diferentes, eleitas democraticamente pelo povo, cada um com interesses e de origens diferentes. São diversos segmentos e estilos. Eles ajudam demais, pois, para a gente conquistar as coisas, não precisa ter briga. O nosso inimigo, muitas vezes, não está dentro de casa”.