[[legacy_image_213070]] A derrota do governador Rodrigo Garcia (PSDB) na disputa para o Palácio dos Bandeirantes neste ano marca o fim da hegemonia do partido em São Paulo, que venceu todas as eleições para a chefia do Executivo paulista entre 1994 e 2018. O mau desempenho da legenda no território paulista em 2022 foi causado por uma série de fatores, segundo lideranças da sigla consultadas por A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Desidratação da agremiação em plano nacional, reprodução da polarização nacional entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo e desgaste natural da sigla perante o eleitorado são algumas das razões que ajudam a explicar o fato de os tucanos não conseguirem nem sequer chegar ao segundo turno desta vez no Estado. O ex-prefeito de Santos (2013-2020) e deputado federal eleito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) acredita que o resultado das urnas é consequência de escolhas e de disputas internas. Ele citou, ainda, o desgaste da agremiação em meio ao eleitorado. “O partido precisa se reinventar. O sistema político-eleitoral brasileiro tem que ser reformulado. O PSDB está inserido nesse contexto. É um sistema falido e que precisa ser rediscutido”, ressalta. Na avaliação do coordenador do PSDB na Baixada Santista, Jair Lopes, a derrota de Garcia é resultado de uma “série de equívocos”, que serão discutidos e avaliados para servir de lição para a agremiação dar a volta por cima nos próximos pleitos. “Temos que aceitar o que a população decidiu. Vamos seguir em frente. Acredito que a legenda ainda tem muito a contribuir com São Paulo e com as cidades que governa em nosso Estado”, afirma. Fadiga de material Fundador do PSDB, o jornalista Raul Christiano entende que, desde 2018, os integrantes da sigla vinham discutindo a possível “fadiga de material” (cansaço do eleitor em relação a determinada sigla) em nível nacional. Naquele ano, a sigla teve a pior participação nas disputas presidenciais desde a fundação do partido, em 1988. O candidato da legenda ao Planalto, Geraldo Alckmin (hoje no PSB), obteve 4,76% dos votos válidos na ocasião. Em uma análise inicial, ele acredita que a polarização política entre Bolsonaro e Lula influenciou muito o eleitorado. “Há muitas posições divergentes sobre os rumos do partido no futuro. Alguns falam em refundação, outros querem deixá-lo. O momento político exige a compreensão de que as eleições deste ano ainda não terminaram. Qualquer avaliação nesse sentido é prematura”, diz. Christiano enxerga que será necessário repetir o que se tornou título de um livro de sua autoria — De Volta ao Começo - Raízes de um PSDB Militante que Nasceu na Oposição, lançado em 2003. “Precisamos fortalecer a essência do seu manifesto, que era ‘longe das benesses oficiais e perto do pulsar das ruas’. Temos que ter isso muito claro. O partido precisa ampliar a interlocução com a sociedade”, frisa. [[legacy_image_213071]] Dirigente tucana: "Barbosa deverá liderar"A presidente do PSDB em Santos, vice-prefeita Renata Bravo, lamenta a derrota de Rodrigo Garcia para o Palácio dos Bandeirantes por julgar que o governador conhece bem o Estado e tem ampla experiência administrativa. “Essa reação foi uma triste surpresa. Acho que isso foi motivado pela polarização das eleições presidenciais”, destaca. Ela acha preocupante a queda no número de deputados federais da agremiação eleitos neste ano (13). Para comparação, em 1998, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito, a legenda elegeu 99. Como contraponto, Renata destaca a eleição de Paulo Alexandre Barbosa, que foi o mais votado da sigla no País. “Acho que esse processo de reconstrução do PSDB poderá partir daqui. O Paulo Alexandre terá um papel muito importante nesse trabalho e de liderança no partido”, ressalta. Novos rumos Ex-prefeito de Itanhaém (2013-2020), Marco Aurélio Gomes não conseguiu se eleger deputado estadual e sentiu claramente os efeitos da polarização ao fazer a campanha nas ruas ao longo das últimas semanas. Ele cita que viu muitos dos seus eleitores com a sua colinha na hora de ir votar, mas com o número 45 (do PSDB) para governador riscado. “Tínhamos um candidato preparado e qualificado, um governo bastante organizado, mas isso não foi suficiente para convencer os eleitores de que o PSDB era a melhor opção para seguir no comando de São Paulo”, explica ele, que atuou como coordenador-geral do programa Vale do Futuro. Gomes entende que “não adianta tapar o sol com peneira” e que o desempenho da sigla das urnas é uma consequência de brigas internas e do fato de as lideranças partidárias tomarem caminhos diferentes. “O PSDB precisa se reorganizar e, talvez, defender outras bandeiras. Esse estilo do partido parece não estar agradando ao povo”, lamenta.