[[legacy_image_3414]] De 2007 até 2017, o nível de aprendizado dos alunos brasileiros (de escolas públicas e particulares) no Ensino Médio continuou estagnado em índices críticos, apesar de avanços expressivos no 5º ano do Fundamental. Os dados, monitorados pelo movimento Todos Pela Educação, também mostram que o cenário na Baixada Santista é parecido – e prova que problemas escolares pioram à medida que a etapa educacional é mais alta. O levantamento revela que o volume de alunos com aprendizado considerado adequado no 5º ano, em Língua Portuguesa, passou de 27,9% para 60,7%, entre 2007 e 2017, no País. No Estado, saltou de 37,5% para 73,9%. Em Matemática, de 23,7% para 48,9%, no Brasil e de 32,8% para 65,0%, no Estado. “O 5º ano foi a etapa acompanhada de um crescimento consistente. É a boa notícia desse levantamento”, afirma Caio Sato, coordenador do núcleo de Inteligência do Todos Pela Educação. Nessa etapa também houve crescimento expressivo nas cidades da Baixada Santista. Praia Grande e Itanhaém chegaram em 2017 com os melhores resultados. Em Português, o aprendizado adequado no 5º ano passou de 31,3% para 73,6% em Praia Grande e de 36,5% para 72,8% em Itanhaém. Em Matemática, a primeira saltou de 30,2% para 67,5%, e a segunda, de 32,5% para 66%. Exemplos De acordo com Sato, além de São Paulo e Santa Catarina, que estão entre os melhores resultados do Brasil tanto no 5º quanto no 9º ano, Ceará e Goiás tiveram avanços importantes. “Isso mostra que é possível avançar”, diz. No entanto, o especialista alerta que, para isso ocorrer, é preciso garantir políticas públicas de qualidade voltadas para bons currículos e materiais didáticos e formação adequada para os professores. “Não há uma bala de prata, mas um esforço contínuo para que um conjunto de ações possa dar resultado.” Apesar da melhora expressiva no 5º ano, o aumento da porcentagem de aprendizado adequado no 9º ano do Fundamental continua em ritmo mais lento e patamares mais baixos. Nacionalmente, o percentual de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental com aprendizado adequado, no período de dez anos, foi de 20,5% para 39,5% em Língua Portuguesa e de 14,3% para 21,5% em Matemática. No Estado, o percentual saiu de 24,2% para 47% em Português e de 16,5% para 28,1% em Matemática. No mesmo período, Santos (de 23,9% para 44,2%) e, mais uma vez, Praia Grande (de 16,5% para 44,6%) se destacaram em Português e chegaram a 2017 com os melhores resultados para o 9º ano. Em Matemática, destaque para Santos (de 13,9% para 20,9%), Itanhaém (de 8,7% para 20,8%) e Mongaguá (de 7,5% para 20,8%). Acúmulo de falhas se revela no nível Médio “Precisamos entender a aprendizagem como um processo acumulativo. Se o aluno tem dificuldades no começo da alfabetização, ele tende a ter problemas lá na frente”, explica Sato. E é no Ensino Médio, que os problemas acumulados se revelam. Conforme o relatório do Todos Pela Educação, na 3ª série dessa etapa, os dados confirmam o cenário crítico, com pequeno avanço de 2007 para 2017. O percentual de alunos com aprendizado em Língua Portuguesa subiu pouco, de 24,5% em 2007 para 29,1% em 2017. Em Matemática, caiu de 9,8% para 9,1%. Em São Paulo, os resultados de Língua Portuguesa (de 28,3% para 33,3%) e Matemática (de 10,7% para 9,9%) seguem a tendência. Por questões de metodologia e divulgação de dados, o levantamento não traz o desempenho dos municípios brasileiros na última década, mas os números de 2017 na Baixada Santista se revelam ainda mais críticos do que no Estado e no País. Segundo o Todos Pela Educação, na 3ª série do Ensino Médio, apenas 2,7% dos estudantes tinham o desempenho adequado em Matemática, a exemplo de Guarujá e Praia Grande. Mesmo Mongaguá, com o melhor índice da Baixada, está abaixo dos números estaduais e nacionais: 6%. Para Caio Sato, coordenador do núcleo de Inteligência do Todos Pela Educação, mudanças pedagógicas e o currículo desta etapa influenciam no aprendizado dos estudantes. “Além disso, no Ensino Médio os alunos estão na adolescência e muitos precisam ajudar a complementar a renda em casa e o trabalho torna-se uma opção melhor que a escola”, afirma. As políticas para a etapa precisam, em sua opinião, levar em conta essa realidade.