O jovem Gabriel José Lemos da Silva, de 24 anos, mora em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e passou metade de sua vida ajudando comunidades indígenas e causas autistas. Ele é autista. Atualmente, faz uma campanha de Páscoa e levará chocolates para mais de 2 mil crianças indígenas, distribuídas entre as cerca de 20 aldeias nas cidades de Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Praia Grande, São Vicente e ainda outras no Litoral Norte. "É minha razão de vida", afirma. Segundo ele, é indescritível a sensação de poder levar alegria para os indígenas, especialmente às crianças, em datas como a Páscoa, Dia das Crianças ou Natal. "Mas também levamos cestas básicas e roupas, pois as aldeias são muito carentes. A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas, órgão que luta pelas causas indígenas, criado em 1967) tenta ajudar, mas são muitas aldeias. É muita gente", explica. Até agora, Gabriel conseguiu arrecadar o suficiente para transformar a Páscoa das crianças de duas aldeias. "Falta muito ainda, mas vai dar tempo, há comunidades com quase 100 crianças, e Deus sempre ajuda. Eu sou uma pessoa só, mas tenho muita Fé", relata. Como ajudar? "Prefiro receber os produtos, podem ser caixas de Bis, de bombons, barras de chocolate, tudo vale. Se fizer Pix, eu envio depois a nota de compra para a pessoa que doou, para que tudo fique claro", explica Gabriel. Quem quiser ajudar é só entrar em contato diretamente com ele, pelo WhatsApp (13) 99113-7606. O número de telefone é também a chave Pix. Há 12 anos Gabriel ajuda as aldeias com roupas e alimentos e no que precisarem (Gabriel da Silva/Arquivo Pessoal) Por que os índios? Gabriel relatou que tudo começou quando ele tinha 13 anos. "Sou autista e sofria bullying na escola. Até de professores. Uma dessas pessoas chegou a me dizer que eu nunca conseguiria nada na minha vida, que era para eu desistir, porque não conseguia aprender". Com isso, ele parou de frequentar as aulas. "Fiquei mal por uma semana". Até que uma amiga o convidou para fazer uma arrecadação de Páscoa que seria para a aldeia Paranapuã, em São Vicente. Eles haviam arrecadado 50 caixas de bombons e foram fazer a entrega. "Uma comunidade muito pobre. Eles não tinham nada. Eram 50 crianças, mas, ao entregarmos, faltou uma. A criança veio correndo lá do fundo da aldeia, me agachei, abracei e ela me disse que não queria bombom: 'Estou há três dias sem comer, tio, eu queria comida’”. Aquilo comoveu Gabriel de uma forma que ele contou que ficou na aldeia, passou a noite lá e prometeu que voltaria, atendendo ao pedido da criança. Mesmo também sem condições, ele conseguiu comprar uma cesta básica para a família e retornou no dia seguinte. Aí, voltou para sua casa, conversou com os pais e relatou o que pretendia. "Não tínhamos carro, eram eu, meu pai, minha mãe e quatro irmãos, mas consegui levar para a aldeia brinquedos, roupas e mais dez cestas básicas". E Gabriel acabou recebendo ajuda depois: "Deus mandou alguém, uma pessoa no dia seguinte trouxe dez cestas básicas para minha família, pois havia doado as nossas". A partir daí, ele começou a ampliar o atendimento e a 'rede' de doações, e fez amizade com os indígenas. "Às vezes, vou só fazer visitas. Eu adoro e eles também. Não é só pelas doações, aprendemos a nos admirar mutuamente", relata. Atualmente, Gabriel segue com as campanhas e até usando o dinheiro do próprio salário, que recebe em uma pizzaria. "Terminando a campanha da Páscoa vou iniciar a do inverno, porque o frio vem aí, e eles são muito carentes nas aldeias. Assim como eu, eles têm fé, e tenho certeza de que vamos também conseguir atender a todos com a ajuda das pessoas", finaliza.