[[legacy_image_344055]] O presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, já tem no seu calendário o centenário do jornal O Globo, no ano que vem. Mas sem se descuidar de questões imediatas, como a adequação do uso da inteligência artificial e o estímulo à boa informação, com apuração, checagem e fontes confiáveis. Ele esteve na reunião ordinária da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em comemoração aos 130 anos do jornal A Tribuna, e participou da visita às dependências do grupo. Confira a entrevista. Para o sr., o que representa um jornal completar 130 anos, que faz parte da Rede Globo como afiliada e poder tomar parte nessa celebração? Temos muito orgulho em ter a TV Tribuna como afiliada da Rede Globo, parceiros nossos já de bastante tempo. E muito orgulhosos de ser uma empresa que tem um jornal há 130 anos. Nosso grupo começou com um jornal também, um pouco mais jovem que A Tribuna. Mas (tem) essa tradição, esse foco no jornalismo, um elemento fundamental para que a sociedade evolua, sempre informada e educada, com os princípios democráticos. É o dia a dia do jornalismo, uma coisa fundamental da nossa missão como grupo de comunicação. A base que vem do jornal é sempre muito relevante para a mídia brasileira. Me sinto feliz de estar aqui, podendo comemorar, junto com A Tribuna, essa data. E as histórias são parecidas, não? O nosso grupo começou com o jornal O Globo em 1925, vamos fazer 100 anos no ano que vem. E foi crescendo, enfim — a Rede Globo veio em 1965. E o jornal sempre foi uma base, uma inspiração, para todo o resto. Como foi a reunião (da ANJ)? Foi muito boa. Ela acontece periodicamente, discutimos as questões de interesse dos jornais e, principalmente, como podemos melhorar o ambiente para a liberdade de expressão, A Associação Nacional de Jornais é muito unida, os jornais são muito unidos. Esse tipo de reunião é sempre muito boa. A transferência da reunião da ANJ para Santos foi um marco desse reconhecimento ao Grupo Tribuna. Normalmente, fazemos em Brasília e, numa data como essa, tínhamos que transferir essa reunião e participar dessa homenagem. A vinda é pelos 130 anos de A Tribuna, que é um marco para qualquer profissional do meio do jornalismo como eu, que fiz minha carreira toda na redação. Fico orgulhoso de ver uma instituição que vive do jornalismo com 130 anos. Acho que reverenciar A Tribuna é uma obrigação de todos nós. Como o sr. vê a importância da boa informação, que agrega a tecnologia, em combate às fake news, num desafio constante da imprensa profissional? Essa é a nossa diferença. A gente se diferencia por ter profissionais como os que a gente vê aqui em A Tribuna, que trabalham todo dia para ter informação de qualidade, checada, verificada, bem apurada, com fontes. As nossas marcas têm uma confiança da população, diferentemente desses meios mais ligeiros, digamos assim. A população vai se educando, aprende a ler aquilo, acha graça, até. Mas, quando quer se informar mesmo, procura as nossas marcas, os nossos produtos. Essa é a diferença que nós temos: equipes como essa de A Tribuna trabalhando duro, todos os dias. Sobre a inteligência artificial (IA): como é lidar com essa nova realidade? A inteligência artificial, para todos nós, é uma novidade. Mas já estamos com várias aplicações, seja no jornal, seja na televisão, diante das possibilidades que a IA nos traz. Existe toda uma questão ética sobre esse uso, que estamos discutindo. Vamos, até, produzir um código nosso de ética sobre como usar, quais são os limites desse uso. Ainda não está pronto, mas estamos trabalhando. Traz muitas oportunidades e alguns desafios bem fortes para a gente. E como o sr. entende o jornal impresso como formador de umas consciência cidadã? O jornal é uma instituição fundamental. Vamos falar como jornalismo profissional: o jornal impresso, ou pela internet, é fundamental na formação da cidadania, na preparação das pessoas para a vida. Eu vejo sempre com muito otimismo. O jornal vai se transformando e vai usando as tecnologias novas à disposição. E acho que, cada vez mais, neste mundo de redes sociais, que competem com os jornais, elas trazem tantas questões, notícias falsas e distorções, que as pessoas vão descobrindo cada vez mais a importância do jornalismo profissional. Uma equipe que foi preparada para confirmar, ouvir o outro lado e tentar levar ao público os fatos da forma como eles são, mais próximos possíveis da verdade. E como O Globo se encaixa nesse contexto? Quais os principais desafios? Está indo muito bem. A gente continua animado, crescendo bastante nas assinaturas ela internet. Está sendo uma experiência nova, como várias que tivemos ao longo da história. Estamos bem otimistas com o futuro. Qual mensagem o sr. deixa para parabenizar o Grupo Tribuna? Jornal é uma vida dura. O jornal, quando começou, ainda mais A Tribuna, deve ter sido uma jornada duríssima. Admiro muito essa jornada, pelo tempo que A Tribuna tem, de luta pelo bom jornalismo. É o que a trouxe até os dias de hoje.