Pesquisa publicada em 19 de março na revista Marine Biology revelou que o mexilhão verde (Perna viridis), uma espécie exótica invasora originária do Indo-Pacífico, está se espalhando pela costa do litoral de São Paulo, incluindo unidades de conservação (UCs). Conduzido por cientistas do Instituto de Pesca de São Paulo, da Universidade de São Paulo (USP) e de outras instituições parceiras, o estudo identificou 41 registros da espécie, sendo 12 dentro de áreas protegidas, como parques nacionais e reservas ecológicas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo os especialistas, o aumento do número de registros do mexilhão é preocupante devido aos impactos ambientais, econômicos e sanitários que o molusco pode causar. Ele foi encontrado em diversas regiões do litoral paulista, incluindo praias e enseadas de Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, Ubatuba, Cananéia, Iguape, Ilha Comprida, Peruíbe, São Vicente e Santos. Na maioria dos locais, foi identificado ao lado de colônias do mexilhão nativo (Perna perna), mas também foi avistado incrustado em cordas de amarração de barcos. Os pesquisadores mapearam a distribuição do mexilhão verde por meio de amostragens em campo, revisão da literatura científica e registros na plataforma iNaturalist, que permite a colaboração da sociedade na identificação de espécies. De acordo com a Marine Biology, "desde 1995, a disseminação do mexilhão verde (Perna viridis) ao longo da costa sul-americana levantou preocupações sobre seus impactos potenciais nas comunidades costeiras em áreas vulneráveis". O estudo apresenta registros atualizados de Perna viridis ao longo da costa brasileira e avalia sua presença em áreas marinhas protegidas. A identificação da espécie foi feita com base na coloração do perióstraco e na morfologia das papilas do manto, permitindo distinguir o Perna viridis do congênere nativo Perna perna. Sua presença em complexos lagunares representa um desafio significativo para a conservação de espécies nativas e a manutenção da biodiversidade regional. A pesquisa ressalta a necessidade de avaliar o equilíbrio entre predadores, parasitas e outros componentes ecológicos em áreas invadidas, com o objetivo de mitigar os impactos na ecologia local. Estudos aprofundados sobre a dinâmica populacional do Perna viridis devem ser realizados, com foco na avaliação dos níveis de nutrientes em ambientes restritos e nos fatores que influenciam a fixação da espécie em diferentes substratos. "Nossos achados destacam a urgência de implementar estratégias de manejo eficazes e políticas de conservação adaptativas para lidar com a invasão de Perna viridis. Essas políticas devem focar na prevenção da propagação da espécie e no apoio à sustentabilidade dos ecossistemas estuarinos e costeiros locais", conclui o portal dedicado à biologia marinha.